Blog que retrata os acontecimentos do mar e porto de Viana e arredores, nos bons e maus momentos, dos pequenos aos grandes senhores.

13
Jun 07
O campo de gelo
 

O Lutador durante as provas de mar
 
Um estremeção forte acordou a tripulação que se levantou de imediato e veio indagar o que tinha acontecido. A princípio pensei que abalroamos com outro navio, porque estávamos longe de terra, não era possível encalharmos e o estrondo foi seco e curto. Quando cheguei à ponte, já lá estava o capitão com o imediato que estava de quarto de serviço. O radar apresentava uma mancha de muitas milhas pela proa, pela nossa frente estava um imenso campo de gelo. O navio tinha parado mas os blocos de gelo disperso batiam no costado e faziam estremecer o navio, parece que cortavam o costado como um diamante deslizando lentamente com a corrente.

in a "Epopeia dos Bacalhaus"
Campo de gelo
Tínhamos de sair dali imediatamente. Uma observação no radar permitiu concluir que se rumássemos a sul ficaríamos livres da mancha visível no radar, mistura de growlers e névoa. Tal assim não aconteceu e cedo percebemos que a solução teria sido inverter o rumo, mas agora de nada valia mudar de direcção, a solução era avançar lentamente procurando as clareiras abertas no campo de gelo em decomposição. Tínhamos a nosso favor as noites serem curtas e haver uma luz difusa que permitia avistar as clareiras mais escuras no meio do gelo branco e seguir com precaução, sofrendo com os impactos dos pequenos blocos de gelo que quer dum bordo quer do outro, faziam mossa no costado, causando arrepios de pavor.
Perdemos a noção do tempo, redobrando a atenção ao gelo e às manobras da máquina que era preciso parar e inverter em muitos casos, para atenuar o impacto de um bloco que não tinha sido possível evitar.

in "o Grande Livro dos Oceanos"-Selecções do Reader's Digest
 
O super-petroleiro e quebra gelo "Manhattan"em 1969 lutando contra o gelo
 
Os navios que tinham ido a Reyqjavik abastecer estavam de saída e rumavam pelo sul da Islândia para a Ilha dos Ursos, nós continuávamos encurralados no campo de gelo, sem vislumbrar caminho para a saída, a nossa velocidade era pouco maior que o deslocamento do gelo que se dirigia para sul, por isso a nossa progressão era pequena correlativamente.
Parecia que estávamos no meio dum labirinto sem encontrar a saída. Imaginava-se o pior, tomaram-se precauções para a eventualidade dum rombo as baleeiras e jangadas a postos, na máquina a máxima atenção, alerta máximo.

in "O Grande Livro dos Oceanos"- Selecções do Readers Digest
O Manhattan no meio do gelo
Ninguém dormia a bordo. Todos queriam colaborar dando indicações para bombordo e estibordo. Teve que ser posta ordem nas orientações que cada um dava, mandando desocupar a ponte, para se poder trabalhar com atenção.
Ao fim de mais de dois dias de sofrimento e cansaço, respiramos de alívio quando o mar à nossa frente estava limpo de growlers. Máquina a toda a força avante rumo à costa da Noruega onde os franceses estavam a fazer boa pescaria com redes pelágicas.
 
publicado por dolphin às 22:30
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