Blog que retrata os acontecimentos do mar e porto de Viana e arredores, nos bons e maus momentos, dos pequenos aos grandes senhores.

24
Mar 07

Recordo com emoção os momentos marcantes da minha meninice que fizeram de mim muito do que hoje sou. Em especial, lembro-me da entrada da Primavera, pela luminosidade, os dias mais longos, mais quentes, o desabrochar da natureza adormecida de longos meses de hibernação.

Um dia que ficou gravado na minha memória foi o dia da àrvore pelo simbolismo que incutia nos estudantes, fomentando dessa forma a preservação e continuação da natureza. Eu tinha os meus oito anitos quando assisti e participei pela primeira vez, na minha escola primária à festa do dia da àrvore.

A senhora professora fazia deste dia, um dia muito especial, convidava os pais dos alunos para assistirem ao evento, um aluno lia um texto previamente elaborado relativo à efeméride e procedia-se à plantação da àrvore no recreio da escola em local escolhido e preparado, com a cova aberta no dia anterior. Todos os alunos participavam, colocando uma pá de terra à volta do tronco da jovem àrvoresinha, logo após a senhora professora dar o exemplo e cantava-se uma canção que começava assim: " Quem planta uma àrvore enriquece, ó terra mãe portuguesa..." e por aí adiante.

Este acontecimento marcou para todo o sempre a minha acção futura para com a natureza e as questões ambientais.

Com a morte prematura do meu pai, herdei alguns terrenos de pinhal que, por infortúnio meu e da natureza foram devastados, por três vezes em trinta anos, por esse flagelo que dizima tudo por onde passa e que dá pelo nome de fogo.

De todas as vezes reflorestei esses espaços ardidos, procurando recuperar as espécies queimadas e perdidas, substituindo-as pelas mesmas e por outras espécies menos vulneráveis ao fogo, como é o caso dos castanheiros e carvalhos.

Ao longo da minha vida tenho plantado inúmeras àrvores de fruto e não só, que me tem dado grande satisfação por contribuir para a preservação e protecção da natureza. Este ano o meu filho convidou-me para o ajudar na plantação de diversas espécies de frutíferas na quinta e eu acedi com todo o entusiasmo, diferindo outras actividades que tinha em agenda para outra ocasião.Eu, ele,a namorada e a minha mulher, plantamos em três dias trezentas e setenta e quatro àrvores de fruto na quinta, sinónimo de repovoamento da quinta por motivo do abate de outras tantas videiras, que por opção económica insustentável, apesar do constrangimento que isso causou a todos nós, por afeição, sentimentalismo e perda irreparável, tiveram que ser ceifadas para sempre.

Hoje, dia vinte e quatro de Março, enquanto plantavamos essas àrvores o meu filho disse-me que ainda tinha de plantar mais uma àrvore em Viana do Castelo, por isso tinhamos de suspender o plantio por hoje para poder honrar esse compromisso que lhe dava imenso prazer estar presente e participar nesse acto simbólico.

Tratava-se de facto de um evento simbólico mas marcante porque patrocinado pelo maior organismo internacional, a ONU. A UNEP( Programa Ambiental das Nações Unidas) escolheu Viana do Castelo, entre outros locais do mundo para lançar uma acção internacional com a designação "Plant For the Planet: a one billion trees planting campaign", com o objectivo de sensibilizar e envolver todos a nível mundial na plantação de àrvores.

A Câmara Municipal, a Valimar, a Surfride Foundation Europe, o Surf Clube de Viana aderiram a esta iniciativa da Unep, aqui representada curiosamente por um Vianês, o Dr. Miguel Alpuim Graça que conjuntamente com a Dra. Flora Silva, vereadora do pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Viana do Castelo, descerraram uma placa alusiva ao acto, após a àrvore ter sido plantada por todos os presentes incluíndo o meu filho, o que me encheu de orgulho e de emoção por lhe ter transmitido essa herança de continuação de preservação da espécie vegetal tão maltratada pelo ser humano últimamente.

Assisti à plantação desta àrvore, na Pousada da Juventude, frente a outra àrvore simbólica, a àrvore da Amizade, emocionado por ver os jovens a corresponder à chamada sempre presente de preservação da natureza que o mesmo é dizer, preservação da humanidade.

publicado por dolphin às 22:00

A apitoxina é um veneno produzido pelas abelhas. Quando aplicado em grandes proporções, é letal para o homem, como aliás todos os venenos.

Paradoxalmente pode tornar-se um medicamento bastante útil especialmente nas afecções do foro reumático, artrites, nevrites...

Nos Estados Unidos, onde a apicultura está mais desenvolvida, utiliza-se administrando, através de picadas naturais das abelhas, na zona afectada.

Esta semana fui ajudar o meu filho a plantar umas árvores  na Quinta da Inácia em São Martinho de Ossela concelho de Oliveira de Azeméis , onde está a desenvolver um projecto de agricultura biológica e apicultura.

No dia 21 de Março, início da Primavera e dia mundial da árvore , plantamos cerca de 54 árvores diversas, macieiras, ameixoeiras, pessegueiros e Kiwis . Ficaram para plantar para o dia seguinte pereiras, framboesas e mirtilos.

No dia seguinte pela manhã quando plantávamos as pereiras numa leira sobranceira ao colmeal , fui surpreendido pela picada aguda do ferrão de uma abelha. Tive a sensação do alastrar do veneno pela face esquerda da cara como se estivesse a ser queimado por um ferro em brasa. A dor foi intensa mas curta, não durou mais que alguns segundos que me pareceram infindáveis.

Esta situação não me era estranha e fez-me reviver trinta anos atrás, quando, no mesmo local, fui igualmente picado por uma abelha e, curioso, no mesmo sítio da face, o lado esquerdo do lábio superior por entre os pelos do bigode.

É sabido que o acto de picar da abelha é um acto suicida que o insecto utiliza em último recurso numa atitude defensiva. Possivelmente presa nos pêlos do bigode viu-se na necessidade de se defender valendo-se das armas que a natureza lhe deu.

Da primeira vez que me aconteceu, ainda vivia em Lisboa e não consegui conduzir devido a face ter ficado  de tal forma inchada que fiquei sem visão da vista esquerda, por obstrução das pálpebras de tão inchadas que ficaram. De imediato, quando fui picado desta vez, me veio à lembrança a primeira e conclui que ia ficar com o aspecto medonho da primeira vez.

Assim aconteceu e, no dia seguinte ao do acontecimento, como o inchaço não desaparecia tive que ir ao serviço de urgência do Hospital de Oliveira de Azeméis , onde me foram ministrados os primeiros antídotos para minimizar os efeitos da apitoxina que se alojou na face e não dá sinais de desaparecer naturalmente, provocando esta deformação indolor mas incomodativa.

As ferroadas das abelhas trouxeram-me ao pensamento outras ferroadas, as dos seres humanos, que, contrariamente às abelhas deixam mazelas para sempre tal é a dose de veneno injectado e difundido. Deus nos livre das calúnias, costuma o povo dizer e com razão. De facto uma calúnia é tão ignóbil, tão mesquinha, tão venenosa que o veneno que injecta perdura por tempo indeterminado perdurando muitas vezes para além da morte, de tão sórdida e mordaz.

Após a picadela da abelha e para alívio do sofrimento, pensei que mais vale ser picado por uma abelha que ser vítima de uma calúnia e que a abelha é mais inócua que o ser humano. Ao contrário da picada da abelha a calúnia não tem antídoto, é perene.

publicado por dolphin às 19:08

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