Blog que retrata os acontecimentos do mar e porto de Viana e arredores, nos bons e maus momentos, dos pequenos aos grandes senhores.

30
Mai 07

Para o homem do mar os faróis são auxiliares importantes e fundamentais, especialmente na navegação costeira, na aproximação a terra e na demanda dos portos.

Ao longo da minha vida ligada ao mar, quer enquanto tripulante quer como piloto da barra, os faróis tiveram uma importância relevante e determinante, por isso quis testemunhar o meu apreço, pintando-os.

 

 

QUADRO 10 

Farol de Aveiro

Óleo s/ tela - 40X33

2002-11-14

Este quadro foi oferecido para ser leiloado a favor de uma obra meritória de que não posso nem devo revelar o nome e desconheço quem o adquiriu mas agradeço a quem tiver ficado com ele.

 

Extraído da Lista de Faróis de 1960

 

Desde pequeno que este farol me fascina. Primeiro pela altura, é o mais alto de Portugal em estrutura, depois pelas histórias que me contaram relativas aos naufrágios ocorridos na barra com o mesmo nome e que me ocorre uma alusiva à inauguração em 1906.

Vivia na praia da Barra nos finais do sec.XIX princípios do sec. XX, um nadador-salvador, de quem não me ocorre o nome, famoso pelos inumeráveis salvamentos de pessoas, vítimas de naufrágios que ocorreram na entrada da barra de Aveiro.

Este homem de forte estatura e compleição física invulgar, prestou serviço militar na Armada e foi subordinado do Rei D. Carlos I, então 1º ou 2º tenente de Marinha, daí lhe ter advindo o cognome de rei marinheiro, pela dedicação e gosto pela actividade de oceanografia/hidrografia que desenvolveu com trabalhos muito importantes nestas áreas.

Quem veio inaugurar o Farol de Aveiro foi o rei D. Carlos I que aproveitou a ocasião para condecorar o intrépido nadador-salvador pela sua acção em defesa da vida humana dos homens do mar. Conta quem presenciou a cerimónia que o "gigante" e destemido marinheiro abraçou o rei, que também era bem constituído, dizendo: - Olá Carlos, como passas? As pessoas presentes ficaram estupefactas e surpresas perante tão à vontade do nadador para com o rei e o caso foi falado nas redondezas por muito tempo e o respeito que já tinha ficou mais fortalecido com este acontecimento.

O "nosso herói" gabava-se de nunca ter ido a um médico nem ter uma dor de cabeça em quase cem anos de vida. O "mata-bicho"(pequeno almoço)dele era um "marquês"(medida equivalente a 1/4 de litro) de "cachaça"(aguardente de bagaço) que bebia de um trago.

Não tinha descendentes directos, creio mesmo que era solteiro, vivia com uma sobrinha nos últimos anos da sua longa vida. Costumava-se levantar muito cedo, logo ao alvorecer, era o primeiro a chegar à taberna onde o taberneiro lhe servia o mata-bicho habitual, sem necessidade de pedir. Um dia a sobrinha estranhou o tio não se levantar e, preocupada, foi indagar o que se passava e deparou com o tio na cama.

Está doente tio? - perguntou. Não sei o que tenho rapariga, respondeu o tio numa voz rouca e abafada, deixando a sobrinha ainda mais preocupada. Onde estava a altivez e postura autoritária do tio a que se habituara ao longo dos anos de convivência?

Perplexa,sem saber o que fazer, levou o tio ao médico. Este auscultou e perante a informação da sobrinha que o tio gostava de beber, especialmente de manhã tomar o mata-bicho, proibiu de tal abuso especialmente nessa idade.

O homem veio para casa ainda pior do que entrou no consultório do médico, não se conformando com tão drástica receita e fazendo menção de não cumprir o estipulado pelo médico. A sobrinha a muito custo conseguiu mentalizá-lo que tinha de cumprir para bem dele. De dia para dia o homem ia piorando e a sobrinha não resistiu ao último pedido.

Rapariga, a última coisa que te peço é que me vás comprar uma garrafa de cachaça para eu me consolar. - A sobrinha não conseguiu dizer não ao tio e foi à taberna comprar a tão desejada como nefasta aguardente.

O velho marinheiro bebeu sofregamente a tão almejada quanto benéfica droga (para ele) e, para espanto da sobrinha começou a melhorar de dia para dia e a partir do terceiro dia retomou os seus hábitos normais passando todas as manhãs a ir à taberna beber o "marquês" de "cachaça", como o fizera em toda a vida.

Morreu no ano em que fazia cem anos não chegando a festejar a data.

 

Para além desta história que ouvi contar a um grande homem que influenciou muito a minha decisão de optar pela vida do mar, o Capitão Manuel Ferreira da Silva (Sardo), o farol de Aveiro tem para mim outro significado. Grande parte da minha vida de embarcado foi passada em navios da praça de Aveiro, como tal, quando regressava de viagem, o primeiro ponto de contacto era o farol e por isso o considero um dos faróis da minha vida.

publicado por dolphin às 22:04
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28
Mai 07

Era costume todos os anos durante a aprendizagem,  antes de férias, normalmente em Julho, efectuar uma mostra dos trabalhos executados pelos alunos  ao longo do ano.

Participei em várias dessas exposições colectivas, como por exemplo, "OS PERCURSORES", organizada pela SOARTE; "VER VIANA"; 4ª e 5ª MONSERRARTE, organizadas pela Junta de Freguesia de Monserrate em Viana do Castelo.

Um dia enchi-me de coragem e resolvi expor sózinho na Galeria do Instituto Português da Juventude em Viana do Castelo e mais tarde fui convidado pelo Solar do Alvarinho a expor em Melgaço.

 

           

 

Folheto de apresentação da exposição realizada no IPJ em Viana do Castelo          

 

"VIVÊNCIAS DE MAR" - tema da exposição, identifica a relação que o artista tem com esse elemento da natureza, onde viveu uma grande parte da vida e que de certa forma lhe moldou o ser...o sentir,o pensar, o viver!...

 

 

QUADRO 7

Óleo s/tela - 115X90

HOMEM DO LEME

2002-07-04

 

De certa forma identifico-me muito com este quadro. Apesar de ser cópia duma fotografia a preto e branco, procurei dar-lhe as tonalidades originais dum fato de oleado característico dos pescadores dos dóris, que tive oportunidade de conhecer no último ano da pesca à linha em que fui náufrago do navio-motor "SÃO JORGE", seis horas depois de sair de St. John's rumo a Portugal em Julho de 1974.

 

 

QUADRO 8

Óleo s/tela - 150X100

ESPELHO D'ÁGUA

2002-10-10

 

Este quadro faz-me lembrar as mulheres na descarga do bacalhau dos navios à linha e o seu reflexo na água da doca. A minha filha gostou muito dele, por isso lho ofereci. As cores da fotografia nada tem a ver com as do quadro. Não sei explicar a razão desta diferença de tonalidades.

 

 

 

QUADRO 9

Óleo s/tela - 90X70

O PESCADOR

2002- 11-05

 

O pescador João Pereira dos Santos com um bacalhau de 50 Kgs às costas é outro quadro que me deu gozo pintar. Baseado numa fotografia a preto e branco da colecção particular de João Pereira dos Santos, procurei interpretar os costumes desse tempo.

 

 

QUADRO 13

ÓLEO S/TELA - 60x40

CANAL CENTRAL D'AVEIRO

2002-11-26

 

Aveiro faz parte da minha vida desde muito pequeno. Foi no Liceu de Aveiro que fiz o exame de admissão ao liceu e desse tempo longínquo recordo muitas coisas entre as quais este canal, os moliceiros, o restaurante da Ti Camila que ficava no r/c da casa cor-de-rosa mais alta e a casa duns amigos onde estava alojado e que se situava do lado direito em relação ao quadro. Por estes motivos resolvi gravar em tela estas memórias.

 

publicado por dolphin às 23:45
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27
Mai 07

Desde muito novo tive gosto pela pintura. Recordo-me que ainda jovem de tenra idade, antes de ir para a escola primária, pintava as paredes com carvão, para desespero do meu pai.

Mais tarde, já no liceu, adorava as aulas de desenho e aproveitava para praticar na arte de pintar com aguarelas e guaches.

Fiquei sempre com a vontade de um dia me dedicar à pintura nos tempos livres, mas a vida profissional jamais me permitiu tempo para por em prática os meus dotes artísticos.

Quando me aposentei procurei um atelier de pintura onde pudesse aprender a técnica e exercitar-me na arte de pintura.

Inscrevi-me no atelier do mestre Simões e depois de uns tempos a aprender o básico comecei a pintar o primeiro quadro.

 

 

QUADRO 1

CAIS DOS PILOTOS

Óleo s/tela - 60X40

2002-02-27

 

É o quadro que representa o primeiro local de trabalho em Viana do Castelo, os Pilotos da Barra de Viana e toda a área envolvente - Torre de Vigia, I.S.N., Castelo de S. Tiago da Barra, Anteporto e Estaleiros Navais de Viana do Castelo.

 

 

QUADRO 2

ILHA GRACIOSA

Óleo s/tela - 60X40

2002-02-28

 

Quadro alusivo ao primeiro navio que comandei, atracado no lado norte da Doca Comercial do porto de Viana do Castelo, tendo como pano de fundo os antigos armazéns da Empresa de Pesca de Viana do Castelo, o casario da cidade e o Monte de Santa Luzia.

 

 

QUADRO 3

DOCAS

Óleo s/tela - 60X30

2002-04-18

 

Representa um facto comum na minha vida diária, a saída/entrada de navios em doca-seca. Neste caso concreto a saída do navio Filipino "MAYA" da doca nº 1 dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, auxiliado pelo rebocador "VANDOMA".

 

 

QUADRO 4

IATE JOANNE

Óleo s/tela - 60X40

2002-04-24

 

Outro tema que me é muito querido, os navios à vela. Parte da minha instrução militar foi a bordo de um veleiro o navio-auxiliar "SANTO ANDRÉ", antigo navio-escola "SAGRES" e ficou-me uma certa nostalgia desses tempos. Sempre que vejo um navio de vela não resisto em tirar-lhe uma fotografia.

Este iate atracado no lado norte da Doca Comercial tendo como fundo o casario da cidade e o Monte de Santa Luzia, é disso uma prova.

 

 

 QUADRO 5

CARAVELA BOA ESPERANÇA

Óleo s/tela - 60X40

2002-04-25

 

A caravela "BOA ESPERANÇA" da Aporvela, veio em visita a Viana do Castelo em 1990 por ocasião das celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades/ Dia da Marinha e das Forças Armadas  que nesse ano se realizou  em Viana do Castelo, com a presença do senhor Presidente da República, Dr. Mário Soares e do senhor Primeiro-Ministro Prof. dr. Cavaco Silva, que na véspera inaugurou a Estação dos Pilotos de Viana.

Tive a oportunidade de efectuar várias manobras com a caravela, na entrada/saída, bem como duas mudanças, uma delas para a posição em que está representada no quadro.

Mais tarde ofereci este quadro à Associação Dr. Manuel Luciano da Silva, sediada na minha terra natal, Cavião, Vale de Cambra que tem um valioso acervo documental de livros, essencialmente na área da saúde.

 

 

QUADRO 6

ESTAÇÕES DE PILOTOS

Óleo s/tela - 97X46

2002-04-30

 

São visíveis três estações de Pilotos: à esquerda em primeiro plano a TORRE DA ROQUETA, primeira estação de pilotos; em frente ao passeio a TORRE DE VIGIA, 4ª estação de pilotos, onde passei sete anos; à direita ao fundo a NOVA ESTAÇÂO, 5ª estação de pilotos e entre estas duas a ESTÁTUA Á MULHER DE VIANA.

 

publicado por dolphin às 20:55
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15
Mai 07

 

Quando comecei nas aulas de informática, jamais imaginei que um dia podia fazer um blog e publicar um vídeo.
Este é o culminar das aulas ministradas pela  professora Liliana Matos, que durante estes meses teve a paciência de me aturar.

A ela devo estes ensinamentos, por isso o meu muito obrigado por tudo.

publicado por dolphin às 15:38

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