Blog que retrata os acontecimentos do mar e porto de Viana e arredores, nos bons e maus momentos, dos pequenos aos grandes senhores.

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No  ano  de 1858, reinava em Portugal D. Pedro V, quando o ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria, Fontes Pereira de Melo, encomendou ao engenheiro Manuel Afonso Espregueira, o estudo do caminho de ferro de Viana a Vigo. Vivia-se um período de euforia liberal, assente na criação de infra-estruturas de transporte, que cimentavam o mercado capitalista.[1]

No início de 1858 Viana estava repleta de obras, desde as obras do porto e barra, à estrada de Viana a Caminha, a colocação de postes telegráficos de Lisboa à Galiza, vinha-se juntar mais o estudo da ligação por caminho de ferro de Viana a Vigo, sem dúvida uma obra de vulto extremamente importante para o desenvolvimento do Alto Minho.

Não se podia dizer que esta parcela periférica de Portugal tivesse sido esquecida do todo nacional. Havia da parte dos governantes da altura uma visão estratégica de conjunto que passava pelas acessibilidades ferroviárias e ligação às redes internacionais como forma de penetração nos mercados europeus, desenvolvendo as vias de transporte marítimo (melhorando os portos) e ferroviário (construindo linhas de caminho de ferro interligadas com as congéneres europeias, neste caso a espanhola).

 

 

Notícia do jornal «A Aurora do Lima» de 01-04-1867

 

 

Este estudo sómente viria a ter concretização 20 anos mais tarde após a construção em 1878 da Ponte Eiffel sobre o Rio Lima e a ligação a Tui.

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Passados cerca de 130 anos sobre este empreendimento digno de realce para a época, e fazendo uma análise sobre o impacto sócio-económico que teve na região Alto Minhota, leva-nos a concluir que esta infra-estrutura potenciadora de desenvolvimento, não foi suficientemente aproveitada para trazer às populações residentes na área de influência, um incremento de desenvolvimento na região que permita assegurar a sua sustentabilidade em termos de frequência, que o mesmo é dizer em razão económica.

A política estratégica de transportes  tem sido ao longo dos anos esquecida pelos diversos governos, sendo o transporte ferroviário (o menos poluente), o mais penalizado e abandonado, em detrimento do transporte rodoviário (o mais poluente), ao contrário de outros países da União.

Esta política incongruente em que por um lado se pretende combater a poluição, e até se criou um Ministério do Ambiente, e por outro lado se constroem (a torto e a direito) autoestradas e se fecham troços do caminho de ferro, pretende, numa visão economicista fechar mais um troço e, por outro lado, defende a ligação por TGV, é incompreensível.

Os meios de transporte visam a mobilidade de pessoas e bens (mercadorias). Não é aconselhável dissociar as pessoas dos meios de transporte. Este tem de ir ao encontro das necessidades daquelas sob pena de não cumprir a missão para que foi criado. O distanciamento, a falta de ofertas atractivas das populações, a modernização das linhas, são alguns dos factores que teem influído na pouca afluência e no desinteresse das populações nesse tipo de transporte, a que não é alheio outro tipo de oferta mais rápido e mais eficiente como é o rodoviário, alimentado e fomentado por interesses que ultrapassam o querer e sentir dessas mesmas populações que assim se veêm forçadas a recorrer a este.

Não admira pois, que a linha do Minho, não tenha tido o desenvolvimento sócio-económico para a região que os seus mentores esperavam. Manuel Espregueira, o autor do estudo e de outros, como o Porto artificial de Leixões, jamais pensou que um dia esta linha viria a ser alvo de extinção, fruto da falta de programação adequada e inovadora da sua utilização por parte dos gestores da mesma ao longo dos tempos deixando que ficasse moribunda e apontando como única solução o fecho.

Os leitores mais atentos dirão que não se trata de fechar a linha do Minho, mas o troço de Tui a Vigo, que é em território espanhol. De facto têm razão, mas este é um passo para justificar o restante, invocando como sempre o factor económico em detrimento do humano.

 

 [1] Homem, Amadeu Carvalho; D. Pedro V, in História de Portugal dos tempos pré-históricos aos nossos dias, obra dirigida por João Medina

publicado por dolphin às 17:02

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