Blog que retrata os acontecimentos do mar e porto de Viana e arredores, nos bons e maus momentos, dos pequenos aos grandes senhores.

10
Jun 15

 

Já escrevi noutro contexto, que o problema das migrações não reside no destino mas na origem. As grandes potencias mundiais não querem solucionar o problema destes povos que se debatem contra a fome e a doença.

As «invasões» pacíficas das populações subsarianas, compelidas pela fome, flageladas pelas doenças e pelas hordas de malfeitores que lhes roubam a dignidade (Boko Haram e outros), submetem-se a atravessar o deserto e, chegados à costa meridional de África, defrontam-se com novo obstáculo, quase intransponível (faz lembrar o Antigo Testamento e a travessia do mar Vermelho), não resistem a atravessar o mar em busca da «terra prometida», tanto é o sofrimento e a ânsia de encontrar melhores condições de vida para si e principalmente para a sua família.

JN - naufrágios mediterrâneo 001.jpg

 

Os muitos milhares de seres humanos que têm perecido na travessia do mar que separa a África da Europa, o Mediterrâneo, devem constituir um ponto de reflexão de toda a humanidade. É preciso constituir um lobie de pressão junto das Nações Unidas (ONU) que exija aos países que gastam milhões em material bélico a parar com a produção de armas que visam o extermínio da humanidade, em prol de alimentos, medicamentos e instrução para esses povos famintos, desnutridos e doentes que neste «êxodo» desumano arriscam tudo – a própria vida - seduzidos pelas promessas de uns quantos sem escrúpulos que lhes vendem miragens.

A última notícia sobre este drama, tem algo de surrealista e impensável, mas que denota até onde pode ir a imaginação humana para sobreviver. Um pai, face às autoridades do país onde vive legalmente, não permitirem a junção da família, idealizou o transporte de um filho de oito anos dentro de uma mala. Detetada pelos meios sofisticados de controle do aeroporto, a criança foi entregue a uma instituição de acolhimento de menores e o pai preso bem como a moça Marroquina de 19 anos recrutada pelo pai para a passagem na alfândega. Houve infração às leis, é um facto, mas condói. Devemos todos pensar em resolver a origem deste drama e solucioná-lo.

JN - criança na mala.JPG

 

Perante isto muitos dirão - «mas que é que posso fazer?», «sou um só contra o mundo!». Pois é, se todos pensarmos assim, o mundo jamais irá para a frente. Está em cada um de nós mudar o mundo com o nosso comportamento. Somos nós que elegemos os governantes com o nosso voto, temos a faca e o queijo na mão, como soe dizer-se. Se votarmos em consciência, segundo as nossas convicções cívicas e de cidadania previlegiando as ideologias que defendem e praticam o bem do homem enquanto ser por excelência e súmula superior da criação, estaremos a contribuir para a construção de um mundo melhor e mais justo.

A Europa, berço dos mais elementares direitos de liberdade, igualdade e fraternidade, precisa de se organizar para ajudar os países mais desfavorecidos a encontrarem um caminho de paz, dignidade e sustentabilidade que permita aos naturais desses países viverem condignamente sem precisarem de migrar da forma desumana a que são forçados. Tal como numa árvore, é na raiz que reside o mal e é lá que ele tem de ser tratado, não no caule ou nos ramos.

Viana do Castelo, 2015-05-11

Manuel de Oliveira Martins

maolmar@gmail.com

Publicado no jornal «A Aurora do Lima», n.º 22 em 2015-06-04

 

 

 

publicado por dolphin às 21:55
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09
Jun 15

 

Na história económica da cidade do Porto, um nome emerge nos anos 30 do século XIX, Ferreira Borges, como o obreiro da organização e implementação da Associação Comercial do Porto, que congregava vários interesses económicos. Nos finais dos anos 30, aí por 1838, surge um movimento embrionário da que viria a ser chamada Associação Artista e Industrial da Cidade do Porto[1] que depois de vicissitudes várias, a que não foram alheias as influências políticas e a própria Associação Comercial do Porto, viria a ver aprovados os Estatutos em 1849, tendo como mentor e principal impulsionador, José Vitorino Damásio, adotando o nome de Associação Industrial Portuense (AIP) – atualmente Associação Empresarial de Portugal (AEP).

Estas duas associações, Comercial e Industrial, constituíram, após a sua formação, motores fundamentais de crescimento e influência do Porto, na defesa dos interesses dos seus associados e da região, junto do poder central.

No momento presente, mais uma vez a Associação Comercial do Porto vem em defesa dos interesses da segunda maior Área Metropolitana de Portugal, confrontando o poder central, pondo em causa a pretensão de Lisboa construir um porto de águas profundas no Barreiro, em detrimento da construção de um terminal ferro-marítimo e de um cais em Leixões, que possibilite a atracagem a navios porta contentores «Post-Panamax» com 14 metros de calado, como estava previsto no Plano Estratégico de Transportes para o setor portuário, elaborado em 2011.

É o lobie do Porto a funcionar, como progenitor a quem lhe tiraram a cria, atacando, qual urso ferido, levando aos mais altos magistrados da Nação, o seu ronco forte e determinado.

Foi assim sempre ao longo da história da cidade invicta.

Viana, também já teve os seus lobies. Nesses tempos idos, conseguiu algumas concessões do poder central, através das influências de figuras como Joaquim Pedro de Oliveira Martins, eleito deputado pelo círculo de Viana em 1886; Manuel Espregueira, ministro do fomento; Dr. Gaspar Teixeira de Queirós, Juiz de Direito, grande impulsionador do desenvolvimento de Viana no início do século XX;  Dr. Ramos Pereira, ancorense, deputado por Viana; João Alves Cerqueira e Vasco D’Orey, industriais do ramo da pesca e fundadores dos ENVC; foram alguns dos protagonistas que conseguiram não deixar morrer Viana do Castelo, depois do período áureo do comércio do açucar brasileiro.

Viana do Castelo precisa de despertar depois do afundamento de duas empresas âncora, sustentáculos da economia da região (a EPV e os ENVC). As forças vivas têm de se constituir em lobie que afirme categoricamente as potencialidades e reais necessidades da região do Alto Minho.

A propósito do país costuma-se dizer que Portugal só foi GRANDE quando se virou para o mar; o mesmo sucedeu com Viana, que só foi GRANDE quando se virou para o seu porto de mar, no qual é preciso investir e não deixar morrer.

Viana do Castelo, 2015-02-14

Manuel de Oliveira Martins

maolmar@gmail.com

 

[1] ALVES, José Fernando – O emergir do associativismo industrial do Porto (meados do séc. XIX)

Publicado no jornal «A Aurora do Lima» n.º 11 em 2015-03-19

publicado por dolphin às 17:38
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