Blog que retrata os acontecimentos do mar e porto de Viana e arredores, nos bons e maus momentos, dos pequenos aos grandes senhores.

21
Abr 10

RESULTADOS DE 1914

 

O ano de 1914 registou nos portos do Norte de Portugal um substancial aumento, 40.134 quilogramas mais do que no ano anterior, ao contrário de Lisboa que registou um decréscimo de 13.172 quilos de bacalhau.

Apesar da guerra (1914-18) que condicionava toda a navegação, a pesca do bacalhau foi em certa medida poupada pelos alemães, que não encontravam justificação para atacar os barcos portugueses, enquanto que aos navios oriundos de Inglaterra, Noruega e Dinamarca, donde era importado grande parte do bacalhau que se consumia em Portugal, assim não sucedia, sendo frequentemente atacados.

Por esse motivo, em 1915, alguns bacalhoeiros portugueses ainda se aventuraram na expedição aos mares da Terra Nova, foram eles: Os lugres "Julia 1.º,2.º,3.º e 4.º", o "Voador" e o "Lucília" da praça da Figueira da Foz; os lugres "Gamo", "Guadiana", "Terra Nova", "Náutico", "Argonauta" e o iate "Açor", registados no porto de Lisboa e também saíram de Viana do Castelo os lugres "Santa Luzia" e  "Santa Maria".

Da análise do mapa abaixo, verifica-se que a Figueira da Foz era o porto maioritário, com um peso de bacalhau de quase metade dos portos referenciados, seguindo-se o Porto com cerca de metade da F. da Foz e em 3.º lugar Lisboa. Os portos de Viana do Castelo e Aveiro representavam nesta época uma parcela diminuta no computo nacional.

 

 

 

PORTOS

QUANTIDADE (Kgs)

%

IMPOSTO (reis)

Figueira da Foz

111.266

44,8

13.350$920

Porto

60.023

24,2

7.214$790

Viana do Castelo

20.306

8,2

2.436$670

Aveiro

14.923

6,0

1.790$720

Lisboa

41.563

16,8

4.987$580

TOTAL

248.081

100,0

29.780$680

O imposto do pescado contabilizado, representava 6% do valor do bacalhau verde salgado, imposto que foi criado por portaria de 14 de Abril de 1886, assinada pelo ministro do Fomento Marianno Cyrillo de Carvalho, rectificando um despacho do anterior ministro do Fomento, Hintze Ribeiro, que num acto mesquinho e apressado, antes da chegada dos dois únicos navios que nesse ano de 1885, o Julia I da Figueira da Foz e o Gazella de Lisboa, se aventuraram a pescar bacalhau nos mares da Terra Nova, determinava que as Alfândegas cobrassem aos navios portugueses o mesmo imposto que era devido pela importação de bacalhau do estrangeiro, em vez do imposto do pescado do bacalhau salgado em verde.

Esta medida fiscal visava exclusivamente arrecadar para os cofres do reino uns míseros contos de reis, matando à nascença a ousadia e o risco que alguns comerciantes, fartos de comprarem bacalhau aos monopolistas estrangeiros, intentaram em mandar armar e equipar dois navios para ir pescar o "fiel amigo" aos mares da Terra Nova, como nos Séculos XV e XVI os seus antepassados haviam ousado.

No ano de 1915 os navios partiram no fim de Maio e chegaram no fim de Outubro. Talvez não seja alheia a este atraso, a indefinição sobre se deviam ou não ir naquele ano à Terra Nova. Repare-se que do Porto e de Aveiro não saíu nesse ano qualquer navio para a pesca do bacalhau.

Nesse ano, a Parceria de Pescarias de Viana,"Depois de larga discussão, resolveu que o bacalhau seja vendido à comissão, (presume-se que seja a Comissão Reguladora do Comércio do Bacalhau) visto que outra forma de venda exigia serviços vários que muito prejudicariam os interesses daquela parceria".

Num acto digno de registo, a parceria resolveu ainda nesse ano vender à Câmara Municipal de Viana do Castelo, 6.000 quilogramas de bacalhau com um abatimento de 2$000 reis sobre o preço de mercado, com a condição que esse bacalhau fosse vendido a retalho às classes mais pobres, como forma da Parceria ir ao encontro das necessidades e carências da população de Viana do Castelo.

Fontes: A Aurorado Lima: 11-11-1885; 19-04-1886; 08-06-1915; 02-11-1915; 19-11-1915

Viana do Castelo, 2010-04-18

Manuel de Oliveira Martins

publicado por dolphin às 17:02
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