Blog que retrata os acontecimentos do mar e porto de Viana e arredores, nos bons e maus momentos, dos pequenos aos grandes senhores.

08
Mai 10

 

O MEDO DA GUERRA

 

Na figueira da Foz, principal porto bacalhoeiro no primeiro quartel do Século XX, no ano de 1917, conforme noticiava o “A Aurora do Lima” do dia 13-02-1917, os navios bacalhoeiros daquele porto estavam em risco de não saírem nesse ano para os mares da Terra Nova.

Na origem desta decisão por parte dos armadores, a braços com graves problemas financeiros, resultantes dos encargos com apetrechamento e manutenção dos navios, a falta de saída do produto em consequência da crise e o decréscimo do valor de venda a que se juntou um outro factor que fez cair por terra a viabilidade mínima que os navios tinham de operar nesse ano.

Esse factor era imposto pelas tripulações, nomeadamente pelos capitães que exigiam, no caso de trazerem bastante carga, 6 contos cada um e um subsídio de 1$500 reis por dia a ser pago às famílias dos tripulantes em caso de morte ou por desastre em consequência da guerra. (Penso estar aqui, nestas reivindicações justas, mas que os armadores não podiam pagar, a origem da Mútua dos Armadores, como forma de, associados, poderem fazer face aos encargos em caso de sinistro).

A vida da pesca do bacalhau é árdua e, naqueles tempos mais dura ainda e agravada pelo espectro de naufrágio motivado pela guerra. Não admira, portanto, esta reivindicação dos capitães que temiam pela sua vida e dos pescadores e principalmente dos familiares que deles dependiam.

A razão assistia dos dois lados, armadores e trabalhadores, a culpa era da crise que há muito se havia instalado, não encontrando os governantes forma de a resolver.

Nesse mesmo ano, o país foi confrontado com mais uma revolução liderada por Sidónio Pais, pretendendo mostrar o descontentamento pela forma como a classe política, pós revolução de Outubro de 1910, tinha deixado chegar o país, pior do que estava no tempo da Monarquia.

A Parceria de Pescarias de Viana, jovem empresa do sector pesqueiro, ponderada a situação e baseada nas últimas declarações do governo alemão, que o seu fim não é atacar qualquer navio, mas sim impedir que os países mais directamente interessados e intervenientes na guerra possam abastecer-se, Portugal estava fora desse âmbito, resolveu mandar aprestar os navios, “Santa Luzia” e “Santa Maria” para partirem na época.

 

Fontes : A Aurora do Lima 13-02-1917

 

Viana do Castelo, 2010-04-25

Manuel de Oliveira Martins

publicado por dolphin às 22:47
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