Blog que retrata os acontecimentos do mar e porto de Viana e arredores, nos bons e maus momentos, dos pequenos aos grandes senhores.

13
Mar 07

GLOBAL RIO

Uma empresa brasileira encomendou aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo dois navios gémeos, destinados ao transporte de produtos químicos - GLOBAL RIO e GLOBAL MACEIÓ.

O GLOBAL RIO, foi entregue ao armador no dia 10-12-1985 e saiu com destino a Huelva, sob o comando do capitão da Marinha Mercante Brasileira, Walter Amaral.

O GLOBAL MACEIÓ, quando efectuava provas de mar em 17-06-86, teve um acidente nos baixos da Eira e atrasou a entrega.

Recordo-me perfeitamente do acidente. Comandava o navio o ex-colega reformado dos pilotos de Lisboa, Capitão da Marinha Mercante Joaquim António Martins, já falecido e de saudosa memória, pela sua cordialidade e amizade. Homem experiente quer como piloto da barra de Lisboa  que chegou a chefiar quer como comandante de vários navios, o comandante Joaquim Martins era contratado pelos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, para efectuar as provas de mar da maior parte dos navios construídos nos Estaleiros. 

Nesse dia fatídico para o capitão e para o navio, cerca das dez horas deu-se uma avaria na máquina, sendo necessário substituir os injectores. Os pilotos da barra de Viana do Castelo foram contactados pelos Estaleiros de Viana para transportarem na lancha esses injectores (nesta altura a lancha dos pilotos era o único meio disponível para efectuar este tipo de serviço e era muitas vezes solicitada a sua  colaboração quando os navios iam para provas e necessitavam por vezes do transporte de pessoas e/ou materiais para o navio e vice-versa). 

Quando fomos levar os injectores ao navio, cerca das onze horas, o navio derivava com o vento norte que já se fazia sentir com alguma intensidade. Tivemos alguma dificuldade em embarcar as caixas com os injectores e perante esta situação e à relativa proximidade de terra deixei um aviso de alerta para terem em atenção a distância que o navio se encontrava dos baixos e o tempo que demorariam a substituir os injectores.

Largamos do costado do navio cerca das onze horas e trinta minutos e a viagem de regresso foi difícil porque apanhamos a vaga provocada pela nortada pela amura de bombordo e a lancha mais parecia um submarino , espetando-se de proa e embarcando mar.

Mal tinha acabado de almoçar fui contactado pelos Estaleiros para ir dar entrada ao Global Maceió que sofrera uma avaria. A lancha seguiu de imediato para o navio e quando entrei a bordo fui informado do sucedido. A manobra de substituição dos injectores demorara mais que o previsto, já era tarde para largar a âncora e o navio bateu no fundo, conseguindo arrancar com a máquina e sair da zona dos baixos agravando mais o impacto e roçando com a quilha numa extensão, que se veio a apurar depois do navio entrar em doca, de cerca de cem metros.

O navio não apresentava qualquer rombo, não tendo água aberta, nada obstava  a sua entrada. Auxiliado pelo rebocador Vandoma " e pela lancha dos pilotos que funcionava também como reboque,  entrou directamente na doca n.º 1 dos ENVC .

O protelar dos acontecimentos, sem uma definição concreta da sua realização, bem como a inobservância de certas regras básicas contribuíram   em grande parte para o precipitar da situação, redundando no acidente.

 O GLOBAL MACEIÓ, saiu para a primeira viagem, após reparação, sob o comando do Capitão Castro da Marinha Mercante Brasileira no dia 04-08-86, com destino igualmente a Huelva.

publicado por dolphin às 22:48
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