Blog que retrata os acontecimentos do mar e porto de Viana e arredores, nos bons e maus momentos, dos pequenos aos grandes senhores.

24
Mar 07

A apitoxina é um veneno produzido pelas abelhas. Quando aplicado em grandes proporções, é letal para o homem, como aliás todos os venenos.

Paradoxalmente pode tornar-se um medicamento bastante útil especialmente nas afecções do foro reumático, artrites, nevrites...

Nos Estados Unidos, onde a apicultura está mais desenvolvida, utiliza-se administrando, através de picadas naturais das abelhas, na zona afectada.

Esta semana fui ajudar o meu filho a plantar umas árvores  na Quinta da Inácia em São Martinho de Ossela concelho de Oliveira de Azeméis , onde está a desenvolver um projecto de agricultura biológica e apicultura.

No dia 21 de Março, início da Primavera e dia mundial da árvore , plantamos cerca de 54 árvores diversas, macieiras, ameixoeiras, pessegueiros e Kiwis . Ficaram para plantar para o dia seguinte pereiras, framboesas e mirtilos.

No dia seguinte pela manhã quando plantávamos as pereiras numa leira sobranceira ao colmeal , fui surpreendido pela picada aguda do ferrão de uma abelha. Tive a sensação do alastrar do veneno pela face esquerda da cara como se estivesse a ser queimado por um ferro em brasa. A dor foi intensa mas curta, não durou mais que alguns segundos que me pareceram infindáveis.

Esta situação não me era estranha e fez-me reviver trinta anos atrás, quando, no mesmo local, fui igualmente picado por uma abelha e, curioso, no mesmo sítio da face, o lado esquerdo do lábio superior por entre os pelos do bigode.

É sabido que o acto de picar da abelha é um acto suicida que o insecto utiliza em último recurso numa atitude defensiva. Possivelmente presa nos pêlos do bigode viu-se na necessidade de se defender valendo-se das armas que a natureza lhe deu.

Da primeira vez que me aconteceu, ainda vivia em Lisboa e não consegui conduzir devido a face ter ficado  de tal forma inchada que fiquei sem visão da vista esquerda, por obstrução das pálpebras de tão inchadas que ficaram. De imediato, quando fui picado desta vez, me veio à lembrança a primeira e conclui que ia ficar com o aspecto medonho da primeira vez.

Assim aconteceu e, no dia seguinte ao do acontecimento, como o inchaço não desaparecia tive que ir ao serviço de urgência do Hospital de Oliveira de Azeméis , onde me foram ministrados os primeiros antídotos para minimizar os efeitos da apitoxina que se alojou na face e não dá sinais de desaparecer naturalmente, provocando esta deformação indolor mas incomodativa.

As ferroadas das abelhas trouxeram-me ao pensamento outras ferroadas, as dos seres humanos, que, contrariamente às abelhas deixam mazelas para sempre tal é a dose de veneno injectado e difundido. Deus nos livre das calúnias, costuma o povo dizer e com razão. De facto uma calúnia é tão ignóbil, tão mesquinha, tão venenosa que o veneno que injecta perdura por tempo indeterminado perdurando muitas vezes para além da morte, de tão sórdida e mordaz.

Após a picadela da abelha e para alívio do sofrimento, pensei que mais vale ser picado por uma abelha que ser vítima de uma calúnia e que a abelha é mais inócua que o ser humano. Ao contrário da picada da abelha a calúnia não tem antídoto, é perene.

publicado por dolphin às 19:08

é a mais pura verdade, obrigado pela informação.
pena é a abelha ter de falecer no processo.
Mário a 31 de Maio de 2008 às 06:43

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