Blog que retrata os acontecimentos do mar e porto de Viana e arredores, nos bons e maus momentos, dos pequenos aos grandes senhores.

22
Jul 14

ONDE ESTAVA NO 25 DE ABRIL (4)

 

Não havia acordo possível, os pescadores só queriam regressar para participar nas mudanças pós 25 de Abril, que supunham ser de grandes benefícios para a sua classe.

Um dia chegou a notícia do regresso a Aveiro dos dois navios da pesca à linha, o Novos Mares e o São Jorge, onde eu exercia as funções de Imediato. Dum modo geral todos regozijamos com a notícia em especial os que reivindicavam incessantemente essa tomada de decisão – os pescadores.

Não manifestei exteriormente essa alegria, mas no fundo eu era o que tinha mais razões para estar contente. Eu tinha feito um contrato fixo para a viagem de 5 meses e com a vinda mais cedo (metade do tempo) iria receber pela totalidade. Foi o melhor vencimento mensal em toda a minha vida.

Largamos de St. Jonh’s ao meio dia rumo a Aveiro, contentes por podermos encontrar os familiares e passar o verão, o que não era habitual nesta vida da pesca do bacalhau, especialmente na pesca à linha e na pesca com redes de emalhar que aproveitavam as boas condições do verão para efetuarem as campanhas. Já na pesca do arrasto, às vezes, dava para passar uns dias de verão durante a estadia entre a viagem de verão e de inverno.

Eram cerca das 18.00 horas quando o moço da copa veio chamar para a 1.ª mesa do jantar. O 2.º maquinista mandou avisar que viria mais tarde devido a uma avaria na casa da máquina. Comemos a sopa e quando nos preparávamos para o prato de peixe, o ajudante de serviço à casa da máquina veio avisar o capitão que havia fogo na casa da máquina. O capitão foi a correr para a casa da máquina enquanto eu fui para a ponte do navio enviar um SOS a pedir socorro, contactando imediatamente por VHF[1] com o navio «Novos Mares» que seguia a cerca de 2 milhas por nosso estibordo[2]. Olhei para esse lado mas não avistei o navio porque uma neblina difusa não permitia visualizá-lo aquela distância.

O mar apresentava-se cavado[3] tínhamos passado por dois icebergs em decomposição horas antes e a temperatura da água era cerca de dois graus.

O maquinista que se encontrava de serviço teve o bom senso de parar a máquina e o navio ficou parado, atravessado ao mar, balouçando ao sabor das ondas, uma situação muito difícil para se efetuar o salvamento.

O sucesso de uma operação de salvamento é haver ordem e não entrar em pânico. Foi uma sorte o que aconteceu naquele dia naqueles mares gelados e escuros. Os pescadores em vez de se dirigirem aos seus postos de salvamento obrigatoriamente atribuídos, começaram de arriar os botes que não resistiam naquelas condições adversas, em vez de se dirigirem para os seus postos e colaborarem nas tarefas distribuídas a cada um.

O meu lado era o de estibordo e com o contramestre fui atirando para a água e abrindo as jangadas salva vidas, enquanto os pescadores, que não se conseguiam aguentar nos dóris, faziam o transbordo para as jangadas de pessoas e haveres que pretendiam salvar.

Depois de ter aberto todas as jangadas do meu bordo, estava exausto e apesar do esforço, sentia um frio enorme devido às temperaturas baixas (cerca de 7º) agravado por estar em mangas de camisa. Tentei entrar no meu camarote para apanhar um agasalho mais quente, mas, no momento em que abri a porta, as labaredas emergiram do interior e fechei imediatamente a porta e coloquei-me por fora do varandim à popa, para tentar saltar para a única jangada que ainda estava presa ao navio daquele lado. Um tripulante da jangada estava com uma navalha na mão para cortar a boça[4] que prendia a jangada ao navio. De cima do navio onde me encontrava gritei-lhe para não o fazer senão lhe mandava com um ferro à cabeça, dissuadindo da intenção. Ao fim de várias tentativas para saltar para a jangada e não cair à água gelada, já cansado decidi atirar-me na esperança de cair em cima da jangada que ora se afastava ora se aproximava do navio conforme o balanço.

Atirei-me duma altura de cerca de 6 a 7 metros e por sorte caí dentro da jangada, mas bati com a perna direita em algo duro que me deu a sensação de ter partido a perna. Era uma caixa de madeira que um pescador se lembrou de levar para a jangada contra todas as recomendações. Aquela dor foi horrível. Parecia que tinha partido a perna. Passado algum tempo a dor abrandou e apalpei a perna sentindo o sangue escorrer da canela que felizmente não estava partida. A minha preocupação voltou-se instantaneamente para a proximidade do navio e dei ordens para com os pequenos remos de que dispunha a jangada e com as mãos nos afastarmos do navio para não sermos sugados pela corrente de redemoinho quando o navio se afundasse. Conseguimos afastarmo-nos uns bons metros, o suficiente para não sermos arrastados e vermos o crepitar do navio a arder em chamas que iluminava as jangadas que ainda se encontravam nas proximidades do navio e não consegui divisar mais que duas na auréola das chamas do navio.

As labaredas eram enormes, negras e cinzentas, o fumo denso e matizado de cores ocre, o mar estava coalhado de botes vazios uns outros voltados, à deriva. Uma explosão seguida de outra quase imediata ecoou no silêncio sepulcral daquela noite fria e tenebrosa. O navio abriu pela popa projetando labaredas e tábuas incendiadas que caíam na água provocando um ruído aterrador. Em poucos minutos o navio ergueu a proa para o céu como que a pedir misericórdia e afundou-se num ápice. À nossa volta ficou tudo escuro como breu, só o marulhar das ondas por companhia.

A bordo da jangada o cheiro era nauseabundo. Um cheiro a vomitado impestava o ambiente. Um energúmeno, em pé, no meio da jangada, de navalha aberta, apregoava que já tinha sido náufrago do Brites[5]. Ordenei-lhe que fechasse a navalha para não por em perigo a vida de todos quantos estavam ali. Se ele caísse e furasse a jangada íamos todos para o fundo. Basofiando não acatou a ordem e, combalido ainda da pancada e meio enjoado pelo balanço próprio de um meio elástico ao qual não estava habituado, ainda arranjei energias para lhe desferir um murro que o atordoou e pôs a dormir para não nos incomodar por algum tempo.

Era necessário tomar alguma mediada, na expetativa de alguém vir em nosso auxílio. Alimentava a esperança do navio Novos Mares vir em nosso auxílio e providenciei no sentido de estarmos vigilantes e estabeleci um sistema de vigias pela abertura da jangada, atentos a qualquer barulho de motor  que pudesse aproximar-se de nós.(Continua)

 

Publicado no jornal «A Aurora do Lima», em 10 de julho de 2014

 

Viana do Castelo, 2014-05-03

Manuel de Oliveira Martins

maolmar@gmail.com



[1] VHF – Very High Frequence – aparelho de comunicação de ondas de alta frequência usado nas comunicações a curta distância.

[2] Estibordo – lado do navio que fica à direita quando estamos virados para a proa.

[3] Mar cavado – Mar com profundos espaços entre as vagas, cerca de 4 a 5 metros.

[4] Boça – cabo fino destinado a amarrar as embarcações miúdas.

[5] Brites . Lugre de 4 mastros que naufragou nos bancos da Terra Nova

publicado por dolphin às 23:43

ONDE ESTAVA NO 25 DE ABRIL (3)

 

Atracamos no cais do Norte, frente à Water Street, mesmo no centro da baixa da cidade de St. John’s, a uma centena de metros da Fundação George V, onde estava sedeada a Casa dos Pescadores, na época dirigida por um vianense, o senhor Ângelo Silva, de saudosa memória.

Quando chegamos, já se encontrava atracado ao cais o Capitão Ferreira, um navio da pesca à linha que havia sido transformado em navio de redes de emalhar. Tinha arribado a St. John’s com uma revolta do pessoal que se negava a trabalhar por que o navio tinha fantasmas. O Imediato era do meu curso e contou-me os motivos. Da primeira vez um homem ficou esmagado entre a lancha e o turco de suspensão, invocando alguns que a culpa era do imediato que comandava as operações de içar as lanchas. O facto é que quem estava aos comandos do guincho era um motorista e mesmo ele não podia ser responsabilizado pois tratou-se de uma falha mecânica, como veio a ser apurado. A segunda morte ocorreu numa noite de S. João depois de terem festejado a efeméride abundantemente com bebida como é apanágio do pessoal do mar, para esquecer as mágoas. O infeliz pescador durante a noite, ensonado e atormentado ainda pela bebida veio à borda urinar, em vez de ir ao quarto de banho e caiu ao mar, ninguém deu pela queda, só pela manhã notaram a sua falta.

Depois de reunirem no rancho, um grupo foi à ponte comunicar ao capitão que não trabalhavam mais e pretendiam que o navio arribasse a St. John’s e fossem repatriados de avião por causa dos fantasmas; nem admitiam sequer regressar a Portugal no navio por causa dos ditos seres fantasmagóricos que habitavam o navio.

 

O encontro das tripulações dos navios «salvadores» com a do «navio fantasma» enquistou a saída para o mar e os pescadores da linha associaram-se aos colegas das redes de emalhar reivindicando o regresso a Portugal, não pela via aérea como os do Capitão Ferreira, mas nos próprios navios onde tinham os motores e os haveres que lhe eram caros.

Neste impasse se mantiveram e, os navios das redes de emalhar, à medida que iam chegando a St. John’s, aderiam à reivindicação dos outros, até que se juntaram tripulações de 7 ou 8 navios, cerca de 600 homens. As agências consignatárias dos navios não tinham autorização para fornecer dinheiro às tripulações por ordem de Lisboa, que tinha congelado a saída de divisas. Sob a ameaça dos tripulantes que insinuavam assaltar casas comerciais na Water Street, caso não lhes fosse fornecido dinheiro, a polícia montada do Canadá implantou um dispositivo de segurança junto dos navios com cães amestrados, controlando as saídas para terra de toda a gente.

Uma comitiva da Junta de Salvação Nacional, entretanto constituída, deslocou-se a St. John´s para tentar apaziguar os ânimos e resolver a ida dos navios para a pesca. Depois de duas reuniões no auditório da Casa dos Pescadores, onde foram maltratados e enxovalhados e até tomates e ovos foram arremessados, regressou a Lisboa sem nada ter conseguido.

Os armadores, por seu lado, que estavam a sofrer na pele esta paragem, pois tinham feito avultados investimentos nos navios para a campanha, também se deslocaram à Terra Nova para chegarem a um acordo e minimizarem os prejuízos da viagem. Há cerca de um mês que estavam os navios parados, sem meterem um peixe no porão.

Era junho, altura em que a cidade de St. John´s se torna mais atraente com a verdura dos jardins, públicos e particulares, convidando ao lazer nos parques da cidade durante o dia e, nas noites amenas, uma ida aos bares beber um copo e divertir um pouco.

Eu e todos os outros íamos desfrutando o bom tempo que fazia sem as agruras da pesca, mas era tudo ilusório e eu tinha consciência disso. Muitas vezes, em conversa com alguns pescadores, mais ponderados e menos emotivos, tentava persuadi-los do logro em que tinham caído e chamá-los para a realidade, sem resultados.

Os navios das redes de emalhar partiram para a faina ficando amarrados ao cais os últimos bacalhoeiros da pesca à linha e o «navio fantasma». Nada os fazia demover do regresso a Portugal.

 

Publicado no jornal «A Aurora do Lima» em 19/06/2014

 

Viana do Castelo, 2014-05-02

Manuel de Oliveira Martins

maolmar@gmail.com

publicado por dolphin às 00:12

01
Jul 14

ONDE ESTAVA NO 25 DE ABRIL (2)

 

St. John´s é o porto mais conhecido e acarinhado pelos pescadores portugueses da pesca do bacalhau. Fica situado na península de Avalon na ilha da Terra Nova. É uma baía ampla, capaz de albergar uma frota como a «frota branca»[1] noutros tempos e protegida das intempéries, com uma abertura profunda e estreita entre dois montes. Pela sua posição central relativamente aos pesqueiros, e pela segurança que oferece, os capitães dos navios bacalhoeiros portugueses e doutras nacionalidades preferem-no, devendo-se por tal motivo o seu desenvolvimento.

 

 

Em consequência dos acontecimentos ocorridos a bordo do S. Jorge, como tivemos ocasião de descrever anteriormente, o navio teve de arribar a St. John´s para abastecer de víveres e meter um ajudante de cozinha, necessário para ajudar o pessoal da cozinha nas tarefas redobradas da preparação das refeições nos moldes estabelecidos pelo capitão – sopa, prato de peixe, prato de carne e sobremesa – para toda a tripulação, de cerca de setenta homens.

O navio permaneceu em St. John´s uma semana, a ultimar estes preparativos para não ter que interromper a pesca, o que permitiu ao pessoal telefonar para as famílias e inteirar-se do que se estava a passar em Portugal.

Saímos de St. John´s para a pesca diretos ao pesqueiro Banquereau que fica na costa da Nova Escócia, onde se situa o porto de Halifax, outrora utilizado pelos navios portugueses quando operavam naquela zona.

Na viagem de navegação, um pescador que ía ao leme, disse-me convicto: -Sr. Imediato, isto agora vai mudar, a minha mulher disse-me que os pobres vão passar a ser ricos e os ricos vão ter de dar aos pobres, quem me dera estar lá agora. Estou desejoso que a viagem termine para chegar a Portugal. Só tenho medo de chegar tarde e outros apanharem tudo!

Ah! – disse eu, curioso para saber mais, e perguntei?

- Então como é que isso vai ser feito? Também estou interessado!

 

 Esta era a ideia que ocupava a mente da maioria dos pescadores, distorcida da realidade pela boca dos familiares, que gerou entre as tripulações dos navios que se encontravam na faina, confusão e ansiedade.

A ameaça da aproximação de um ciclone, levou os três navios da pesca à linha, de arribada[2] para o porto francês de Saint Pierre, na ilha do mesmo nome situada na foz do rio S. Lourenço, outro porto querido das tripulações portuguesas, por ser mais latino.

Passados dias, o ciclone passou mais pelo Norte, rumo ao Labrador e era tempo de regressar à pesca. A permanência em terra durante quase uma semana permitiu o contacto com as famílias, como habitual e salutar, mas também se notou a influência política, a perturbar a unidade do grupo, tornando-os confusos e ansiosos e não esclarecidos.

Uma fação não queria sair para a pesca mas pretendia que o navio fosse direto para Portugal, enquanto outra, minoritária em relação à primeira pretendia continuar a pescar, invocando o sustento das famílias. Neste confronto se mantiveram sem chegar a acordo. O piloto da barra chegou a vir a bordo para dar saída ao navio por 13 vezes e da última vez afirmou que enquanto não houvesse um consenso para sair não viria a bordo. O capitão e restantes oficiais eram impotentes perante tal situação e temiam o pior, um confronto físico entre os grupos. Fui encarregado, devido à minha função, de tentar apaziguar os ânimos e encontrar uma solução que satisfizesse as duas partes.

Não sei explicar o que demoveu ou motivou as duas fações. Sei que consegui que se abraçassem e esquecessem as divergências e pudéssemos sair para a pesca. Pescamos primeiro no banco S.Pierre, depois nos espalcos[3] e por fim nos Virgin Rocks[4], compondo o porão apesar dos dias perdidos em terra.

 

 Um dia pela manhã, ao arriar[5], o mar estava chão, o São Jorge estava fundeado por Leste do Mano leijo[6] e o Ilhavense do mesmo lado no Sado leijo e o Novos Mares pescava no Eastern Shoal[7], o capitão do Ilhavense chamou por socorro dizendo que o navio estava a arder com fogo a bordo na casa da máquina. Os dois navios, São Jorge e Novos Mares, suspenderam e rumaram para a posição onde se encontrava fundeado o Ilhavense. Quando o São Jorge lá chegou passado pouco mais de meia hora (o tempo de suspender e navegar cerca de uma milha), encontrou todos os botes e as jangadas salva vidas na água, e o navio Ilhavense envolto numa fumarada. Foi só começar a recolher os botes enquanto o Novos Mares que estava mais distante, cerca de 5 milhas, chegava e procedia igualmente noutra ponta a içar os botes.

Depois de todos salvos, a pedido do capitão do navio incendiado, os capitães dos outros dois navios salvadores, aguardaram que o navio fosse para o fundo, sinal de que não ficaria à deriva e constituísse um perigo para a navegação e o capitão fosse acusado de ter abandonado o navio naquelas condições.

Os dois navios rumaram a St. John´s, distante cerca de 6 horas de viagem, a fim de descarregar os náufragos. (Continua)

 

Publicado no jornal «A Aurora do Lima» em 22/05/2014

 

Viana do Castelo, 2014-04-28

Manuel de Oliveira Martins

maolmar@gmail.com

 

 

 



[1] White Fleet – Frota Branca – Nome por que era conhecida a frota portuguesa da pesca à linha, devido os navios serem todos pintados de branco, para melhor serem identificados durante a 2.ª Guerra Mundial.

[2] Arribada – ida para terra por motivo de avaria, doença ou mau tempo.

[3] Espalcos - pesqueiros

[4] Virgin Rocks - pesqueiros

[5] Arriar – largar os botes na água

[6] Leijos – pedras onde o bacalhau se concentra (Mano, Sado, etc)

[7] Eastern Shoal – pesqueiro que fica 5 milhas por Leste dos Virgin Rock’s

publicado por dolphin às 22:35

21
Jun 14

ONDE ESTAVA NO 25 DE ABRIL? (I)

 

Esta pergunta ficou célebre através de um conhecido jornalista e escritor e tem sido mencionada por outras fontes, nomeadamente o JN durante o mês de abril, em entrevistas feitas a personagens conhecidas da vida pública portuguesa.

Hoje, faz 40 anos que se deu o 25 de abril e é exultante para mim relembrar esse momento e os que se seguiram. Quis o destino que naquele ano de 1974 em que decidira fazer uma pausa na minha vida de homem do mar, para me casar, tal não viesse a suceder, e não resisti a uma oferta bastante aliciante monetariamente, de fazer uma viagem num navio da pesca à linha.

A pesca à linha estava no fim. Só restavam 3 navios da famosa frota branca que ainda persistiam naquele tipo de pesca, há muito abandonado por outros países, com frotas pesqueiras do bacalhau. Eram eles o Ilhavense, o São Jorge e o Novos Mares. Dos três somente o Novos Mares regressaria a Portugal, os outros dois por lá ficaram, vítimas de incêndio em circunstâncias diferentes.

O São Jorge, navio onde eu desempenhava as funções de imediato, saiu de Lisboa no dia 22 de abril, depois dos preparativos usuais para a viagem de 5 meses - regulação de agulhas, calibração do radiogoniómetro, abastecimento de sal, mantimentos e aprestos, etc. – com destino aos bancos da Terra Nova.

O São Jorge navegava no canal com o mesmo nome, entre as ilhas açorianas do grupo central, de São Jorge, do Pico e Faial, quando o capitão do navio deu a boa nova de uma revolução, há muito desejada.

A maior parte do pessoal em que me incluía, estava no convés do navio, atarefado nos preparativos para a faina que se avizinhava dentro de dias, preparando os dóris, adaptando-os cada um ao seu modo, dando-lhe um nome, preparando os motores fora de borda que tinham trazido dos botes que utilizavam na pesca nos portos de onde eram oriundos. Noutros tempos mais difíceis, eram as velas que preparavam, agora era tudo a motor. Alguns não tinham motor próprio e o navio fornecia-lhe.

Foi uma algazarra imensa, uma euforia desmedida, um viva Portugal, abaixo a ditadura! O capitão manifestou igualmente a sua satisfação e deu ordem ao cozinheiro para daí em diante passar o comer a ser igual para todos, isto é, dois pratos.

Durante o período da ditadura, o pessoal de ré (os oficiais) tinham direito a comer, sopa, prato de peixe, prato de carne e sobremesa, enquanto o pessoal da prôa (mestrança e marinhagem) comiam sopa e um prato de peixe ou de carne alternadamente ao almoço e/ou ao jantar e sobremesa só à quinta e domingo, consoante os navios, nalguns era só ao domingo.

A ordem teria sido boa se previamente o capitão se tivesse informado com o cozinheiro da possibilidade de poder fornecer esta duplicação de refeições, quer em géneros quer em trabalho para o pessoal da cozinha. Foi uma medida precipitada que criou um precedente jamais sanado e que mais tarde o capitão veio a reconhecer que foi um erro, fruto da sua euforia e da vontade que sempre tivera em que a comida fosse igual para todos em especial para aqueles que mais se desgastavam fisicamente – os pescadores.

O capitão, para nos manter informados enquanto se trabalhava no convés, ligou o rádio ao altifalante que dava para a prôa para ouvirmos as notícias intercaladas com música de intervenção, comentando de vez em quando os acontecimentos. Assim passamos o canal de São Jorge e rumamos a St. John´s da Terra Nova, contrariamente ao que estava destinado antes que era ir diretamente para a pesca no Banquereau ou Saint Pierre. As medidas precipitadas assim o obrigavam, era necessário meter mais mantimentos e mais um ajudante de cozinha, porque as refeições quadruplicaram.

Naquele dia à noite o capitão teve uma surpresa quando estava à mesa a jantar. O cozinheiro veio informar que o pessoal da prôa tinha rejeitado o prato de peixe, constituído por pescada cozida com batatas e hortaliça, dizendo que aquilo não era comida que se desse a um homem. Ficaram acalmados por que o prato de carne era bife com batatas fritas, mas que alguns estavam a reclamar uma segunda dose quando ele só tinha contado com um bife para cada um. O capitão pediu-lhe que tentasse resolver o problema da melhor forma possível, indo o cozinheiro para a prôa apreensivo, sem saber como iria dar a volta à situação, pois por aquele andar não tinha sequer mantimentos para chegar a St. John’s.

Um dia depois de passarmos os Açores, na noite de 26 para 27, estava de serviço de navegação na ponte, o vigia veio-me informar que à proa estava tudo bêbado, tinham rebentado com o cadeado do paiol dos mantimentos, feito «Champarrion», cortado os presuntos e andavam à pancada uns contra os outros, ninguém se entendia. Chamei o capitão e dei-lhe conhecimento do panorama que o vigia me tinha descrito. Como responsável pela disciplina coube-me a tarefa de ir à prôa analisar a situação e tentar apaziguar os ânimos. Escusado será dizer que a situação era caótica e insustentável, sem controle possível. Dirigi-me à ponte informar o capitão do barril de pólvora que estava rastilhado. Foi a vez do capitão tentar ir impor a sua autoridade, como responsável máximo do navio.

Eu era um jovem imediato de 26 anos, o capitão era um veterano com mais de 50 anos, esperava-se que obedecessem às ordens dele, ainda para mais que ele tinha demonstrado ser um camarada quando tomou a decisão da comida passar a ser dois pratos, igual para todos. Chamaram-lhe de tudo, só faltou baterem-lhe! Veio muito perturbado, chorou, disse que não merecia o que ouviu, principalmente de alguns que nunca imaginara pudessem maltratá-lo, pelo muito que tinha feito por eles. Tentei acalmá-lo e fui deitá-lo.

Continuei no meu posto de navegação, enquanto o navio singrava as águas frias do oceano naquela noite escura a caminho da Terra Nova e meditava naquilo que se tinha passado e transpondo para o país imaginava cenários idênticos, como mais tarde vim a saber aconteceram.

Não era isto que eu queria para o meu país, quando antes lutava pela liberdade contra a opressão e o obscurantismo. Esperava liberdade dentro dum cenário de ordem e respeito de uns para com os outros dentro do seu estatuto e função. Não era isso que estava a acontecer e que se iria passar no futuro como terei oportunidade de contar noutra ocasião.(Continua)

 

Publicado no jornal «A Aurora do Lima» em 15/05/2014

 

Viana do Castelo, 25 de abril de 2014

Manuel de Oliveira Martins

maolmar@gmail.com

 

 

 

 

 

 

publicado por dolphin às 18:06

19
Jan 14

Acabo de ler o livro «Murmúrios do vento» da autoria de Valdemar Aveiro, um grande oficial náutico, mas ao mesmo tempo um escritor de gabarito. A  prová-lo estão os livros que já escreveu, nos quais explana duma forma soberba e empolgante a «epopeia do bacalhau» por ele vivida e de outras pessoas que com ele trabalharam nos mares gelados do Atlântico Norte.

Encontramo-nos em Fermentelos, no habitual convívio do Clube de Oficiais da Marinha Mercante da Região Norte. Ambos tínhamos livros para divulgar entre os colegas presentes e, antes do almoço convívio, permutamos as obras que havíamos publicado recentemente, reportadas à pesca do bacalhau em contextos e estilos diferentes.

O meu livro «Viana e a pesca do bacalhau» de caráter mais documental e etno-biográfico, procura registar os factos para memória futura; o livro do Valdemar Aveiro, tem um cunho muito pessoal e humano, vivido em grande parte na primeira pessoa, retrata a saga do homem do mar, em especial o bacalhoeiro.

 

Valdemar Aveiro, é um narrador nato, que transmite  à sua prosa, uma melodia tão intensa que inibria e desperta nos corações mais empedernidos sentimentos de nostalgia e doçura. A forma como aborda as questões, das mais gravosas e difíceis às mais picantes e rocambolescas, cativam o leitor que, embevecido pela narrativa, não despega da leitura até ao termino da cena.

Adquiri o livro antes do Natal de 2013 e só o comecei a ler depois dos Reis em 2014. Em quinze dias absorvi o conteúdo desta obra, vivendo-o como se passado comigo, tão grande a similitude que as nossas vidas, desconhecidas para ambos até aqui, contéem em vários aspetos de caráter e personalidade.

publicado por dolphin às 16:04

20
Dez 13

 

 

No dia 10-07-1948 era assim a multidão a assistir à cerimónia de flutuação dos três primeiros navios construídos nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo - Senhor dos Mareantes e Senhora das Candeias, para a Empresa de Pesca de Viana, e São Gonçalinho, para a Empresa de Pesca de Aveiro.

Neste ano celebrava-se o centenário da elevação de Viana a cidade e este evento foi integrado nas comemorações. Neste mesmo ano outro acontecimento viria a marcar significativamente a vida marítima de Viana do Castelo - O naufrágio do lugre bacalhoeiro «Gaspar» da Sociedade Novas Pescarias, que assim se via privada de navios e impossibilitada de continuar a atividade. Viana ficava mais pobre por este motivo, mas mais engrandecida pela esperança que depositava nos recentemente formados Estaleiros Navais de Viana do Castelo.

Passados quase 70 anos o panorama social, económico-financeiro e visual é desolador. Há estaleiros mas não há navios. Há homens mas não há trabalho. Há encomendas mas não há vontade de as por em marcha. Há potencial para avançar mas não há querer.

O dia 16-12-2013 ficará célebre na história da cidade de Viana do Castelo, pela saída do último navio construído nos maiores estaleiros de construção naval ainda existentes em Portugal. Quem construirá os navios que o país vai precisar no futuro para gerir o gigantesco espaço marítimo que detém? Vão ser precisos navios oceanográficos e outros tecnológicamente sofisticados para prospetar e operar as enormes riquezas contidas dentro da área geográfica da ZEE, uma das maiores do mundo, com uma área equivalente a 19 vezes a área continental e com possibilidades de ser aumentada para 40 vezes, ou seja para cerca de 4.000.000 Km2.

 

 

 

A construção naval tem de ser dirigida para estas novas áreas oceânicas, com tecnologias inovadoras, mas também para atender aos mercados dos PALOP's, com necessidades de defesa emergentes. Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, não podem desperdiçar esta oportunidade de se afirmarem neste mercado cobiçado por outras nações europeias e não só. É urgente começar já a preparar-se para os desafios que se vislumbram a médio prazo no futuro. É necessário reformar o setor da construção naval em Portugal, dando formação aos quadros e pessoal numa perspetiva tecnológicamente mais evoluída e virada para novos tipos de embarcações que virão a ser necessárias para atender os desafios que esta vasta área oceânica vai exigir. Por outro lado, gradualmente, e enquanto se vai modernizando e preparando para dar andamento às solicitações que o mercado vai exigir, existe o mercado dos países de expressão portuguesa, dentre os quais se destaca Angola e Moçambique, com vastas extensões costeiras e áreas enormes de ZEE's, que necessitam de ser vigiadas e defendidas da cobiça internacional pelas potencialidades geológicas, piscícolas e económicas que possuem.

O horizonte não está assim tão carregado de nuvens que se avizinhe uma tempestade que destrua tudo. Algum temporal terá de ser suportado para reconverter tecnológicamente o setor e adaptá-lo aos novos desafios, tornando-o competitivo e rentável. Alguns trabalhadores terão de ser «sacrificados» para atingir o nível e desiderato ajustado à realidade momentânea, por forma a manter um suporte necessário para competir no mercado. Essa «sangria», necessária ao equilíbrio competitivo, não pode em circunstância alguma ser feita com prejuízo para os trabalhadores. Deve ser efetuado um estudo caso a caso, pondo sempre acima de tudo o fator humano e sócio-económico de cada agregado dependente do trabalhador em análise.

 

 

De há vinte anos para cá os estaleiros teem dado prejuízo, que tem sido suportado pelo erário público (por todos nós). Este cenário, mais tarde ou mais cedo tinha que ter um fim, era insustentável e impeditivo do crescimento e reconversão do tecido produtivo. Só pessoas pouco escrupulosas e sem a noção da realidade o podiam defender. 

É necessário encarar a situação com fé, mas sobretudo com firmeza. Se não acreditarmos nem vale a pena começar. Os antecessores, como João Alves Cerqueira, Vasco d'Orey, Jacques de Lacerda, Luis Lacerda, acreditaram e venceram, apesar da situação económico-financeira da empresa estar em certos casos e em certas alturas muito difícil. A convicção e perseverança (firmeza) com que enfrentaram as crises foram determinantes para as ultrapassarem.

Exige-se que os governantes dotem a empresa dos meios necessários à reestruturação do setor, fiscalizem as ações daqueles que detem a missão de gerir, sem intervir, mas atuando sempre que se verifique qualquer desvio que ponha em perigo a prossecução dos objetivos traçados. Aos trabalhadores exige-se que cumpram a sua missão e zelem pelos interesses da empresa, e a defendam em todas as circunstâncias(legais) dignificando a sua imagem, trabalhando por amor à causa, que o mesmo é dizer, dignificando e lutando pela sustentabilidade do seu posto de trabalho, auferindo um salário justo e equilibrado dentro do horizonte da empresa.

O mundo está em mudança. O homem é o agente dessa mudança. Cabe a cada um de nós contribuir duma forma séria, honesta e empenhada para tornar este mundo melhor, mais justo, mais igual, menos desiquilibrado, onde apeteça viver.

publicado por dolphin às 21:32

01
Set 13

Esta manhã entrou no porto de Viana do Castelo o navio de passageiros «Minerva» numa visita curta de algumas horas.

Arredado das lides marítimas há alguns anos, mantenho ainda o «bichinho» que, quando vejo um navio a manobrar, não resisto à tentação de tirar umas imagens para mais tarde recordar.

Faltava-me a máquina que por hábito costumo trazer no carro para registar acontecimentos, pessoas, paisagens, etc., que me chamam à atenção. Na falta dela serviu o telemóvel com o qual tirei as imagens que vos mostro e que não são de grande qualidade mas servem para ilustrar o texto que escrevo.

 

 

 Enquanto tirava as fotografias lembrei-me duma ideia antiga que me ocorreu, ainda Leixões nem sonhava com os cruzeiros e o terminal, precisamente quando o navio «Funchal» veio em visita a Viana do Castelo. Já lá vão mais de dez anos, seguramente.

A ideia era simples e viável. Incentivar a vinda de pequenos paquetes, até 180 metros de comprimento, durante os meses de Verão, numa parceria de autoridades portuárias, municipais, regionais, envolvendo os agentes de viagens o turismo e o comércio, numa operação integrada.

 

 

 

As potencialidades são muitas, precisam de ser bem divulgadas e exploradas. Numa primeira fase pode ser aproveitado o cais comercial para arranque do serviço. Posteriormente, e num curto prazo, (1, 2 anos no  máximo) a construção de um cais na margem direita, como estava previsto no projeto inicial do porto de Viana do Castelo.

 

 

 

 

Viana do Castelo merece e precisa que o poder central e as autoridades regionais e locais se interessem pelo aproveitamento das potencialidades existentes em belezas naturais, gastronomia, arquitetura, arqueologia e qualidade ambiental.

As carências da região, a todos os níveis, teem de ser olhadas na perspetiva de melhoria de vida das populações locais, sem a qual não é possível fixar as pessoas a que o êxodo para outras paragens vai cada vez mais empobrecendo.

 

Leixões está a ser dotado de um terminal de cruzeiros que vai custar mais de cem milhões de euros, Portimão vai aumentar o cais para receber mais navios de cruzeiros e em Lisboa vai ser feito um monumental terminal de cruzeiros em Santa Apolónia.

Um cais na margem direita do rio Lima, (na zona do atual pontão de embarque/desembarque dos «ferries») simples e aberto, para deixar as correntes fluirem livremente, não seria muito dispendioso.

Apelo a todos, em especial às autoridades interessadas no desenvolvimento sustentado desta bela região (Alto Minho) para que deem as mãos e, paralelamente à implementação deste serviço, exijam ao poder central a feitura desse cais que há muito devia ter sido construído.

 

 

 

 

 

publicado por dolphin às 17:43

24
Ago 13

Está aberta ao público até ao dia 27 de outubro a exposição alusiva ao centenário da Empresa de Pesca de Viana.

Foi no dia 16 de agosto de 1913 que no escritório do Dr. Cortez na rua Mateus Barbosa en Viana do Castelo que foi lavrada a escritura de constituição da Parceria de Pescarias de Viana que viria em 1925 a adotar o nome de Empresa de Pesca de Viana.

É uma exposição a não perder. Nela poderá rever a história desta centenária empresa de pesca do bacalhau que tão bom nome criou no país e no estrangeiro.

É especialmente dedicada a todos aqueles  que nela trabalharam como pessoal de mar ou de terra. Visitem-na. 

 

 

 

Precedendo a abertura da exposição, foi apresentado o livro de minha autoria, «Viana e a pesca do bacalhau» que procura retratar a história da pesca do bacalhau em Viana do Castelo; as empresas, os navios, as personalidades e os testemunhos daqueles que viveram no mar ou em terra a saga do bacalhau.

Faça uma visita ao Museu de Artes Decorativas, sito no Largo de São Domingos  em Viana do Castelo, para ver esta exposição e onde poderá adquirir o livro.

 

 

publicado por dolphin às 22:37

28
Out 12

Conheci o Dr. Manuel Luciano da Silva por volta de 1958 quando apresentou, no velho cinema de Vale de Cambra, o documentário sobre a Pedra de Dighton. Eu frequentava o 1.º ano  do ensino secundário no Externato Cambrense, quando os alunos do colégio foram em peso assistir à passagem do filme de 8 mm, no improvisado cinema que funcionava numa parte do rés do chão da Pensão Cambrense, contígua à antiga escola primária.

 

 

 

Para mim, adolescente serrano de Cavião, o cinema era uma novidade, o mesmo não acontecia com os urbanos da vila, para quem era um hábito frequentar as sessões cinematográficas de domingo à tarde, as chamadas «matinées».

Recordo, como se fosse hoje, esse meu primeiro contacto com o audiovisual e o assunto ficou para sempre registado na minha memória.

Anos mais tarde, em 1972, já imediato de  um navio de pesca que operava nos mares do Sudoeste Africano, através do meu primo Abel de Oliveira Aguiar, fui presenteado com um exemplar do livro original, escrito em língua inglesa, «Portuguese Pilgrims and Dighton Rock», com uma dedicatória amável do Dr. Manuel Luciano da Silva. O mesmo viria a suceder com o livro de sua autoria «A electricidade do amor» e, pessoalmente, numa conferência que deu na Escola Secundária Ferreira de Castro, em Oliveira de Azeméis, em 29 de março de 2002, e que tive o previlégio de assistir, ofereceu-me e escreveu uma dedicatória honrosa na publicação «As verdadeiras Antilhas: Terra Nova e Nova Escócia».

 

 

Foi com grande orgulho que assisti à inauguração, em Cavião, das instalações da Associação Dr. Manuel Luciano da Silva, que prestigia a terra que o viu nascer e de que se orgulhava.

Comunicávamo-nos pela Internet, através do correio eletrónico, e a última vez que estivemos juntos foi no Porto, por ocasião do lançamento do livro «Cristóvão Colon[Colombo] era Português», no dia 3 de Junho de 2006, que escreveu em coautoria com a esposa D. Sílvia Jorge.  Revi-o no filme  de Manuel de Oliveira, «Cristóvão Colombo, o Enigma», apresentado em Macieira de Cambra.

Foi com profunda tristeza que recebi a fúnebre notícia que o meu amigo Adolfo Coutinho me enviou por mail. Não queria acreditar. Depois de introspetivar os momentos  de proximidade e comunhão, que acabo de narrar, decidi, em jeito de homenagem, publicitar essas minhas vivências com um dos mais importantes cambrenses e, seguramente, com o cavionense mais ilustre, que na diáspora cimentou com altruísmo e inteligência, uma conduta invulgar na ciência e na investigação, em paralelo com uma vida repleta de humanidade e solidariedade.

Paz à sua alma.

Viana do Castelo, 2012-10-23

Manuel de Oliveira Martins

publicado por dolphin às 22:00

17
Ago 12

Começaram as Festas!

A Romaria das Romarias de Portugal está aí!

Soam os tambores pelas ruas do velho burgo medieval, pela avenida, pelo cais e Campo do Castelo, numa alegria que contagia tudo  e todos.

As moças, envergando os trajes tradicionais garridos, desfilam pelas ruas da cidade, desde o palácio dos Cunhas até ao palácio dos Távoras, onde são recebidas pela edilidade que, na rua com o mesmo nome, rende homenagem às Mordomas da Romaria.

Terminada a cerimónia, os gigantones, abrindo o cortejo, dançam ao compasso ritmado dos bombos, descem a avenida em direção ao cais da velha doca comercial até ao Campo do Castelo onde desmobilizam.

Na Praça da República o povo toma posição à espera dos bombos para verem e ouvirem a primeira revista dos gigantones e dos bombos. 

O barulho é ensurdecedor, milhares de decibéis entoam pelo espaço acústico da praça, fazendo vibrar os tímpanos mais robustos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por dolphin às 15:41

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