Blog que retrata os acontecimentos do mar e porto de Viana e arredores, nos bons e maus momentos, dos pequenos aos grandes senhores.

23
Out 11

O Rancho do Monte, de Vila do Conde, com o apoio da Junta de freguesia e Câmara Municipal daquela cidade, fizeram a evocação do centenário do naufrágio do cruzador «São Rafael», ocorrida no dia 21 de Outubro de 1911.

 

 

 

No dia 21 deOutubro de 2011, dia do centenário, realizaram-se diversos eventos: - Missa e descerramento de placa evocativa, romagem ao cemitério e inauguração de uma exposição evocativa, no salão de festas do Rancho do Monte, que estará patente ao público até ao fim do ano, que aconselhamos a visitar.

 

 

No Auditório Municipal, no dia 22, teve lugar o lançamento do livro «Cruzador São Rafael - Evocação do Centenário do Naufrágio - 1911-2011», da autoria de Albino Gomes, seguido de um colóquio/palestra moderado por este, em que diversos(as) oradores(as) abordaram o tema do naufrágio à luz da imprensa local e nacional à época do acontecimento, e a sua repercussão a nível local e nacional nas populações e no país.

 

 

As comemorações fecharam em apoteose com a representação de uma pequena peça de teatro, numa tentativa de reproduzir o naufrágio, pelo grupo de Teatro Amador do Círculo Católico Operário (TACCO), que foi calorosamente aplaudida pelo grande número de pessoas que assistiram aos três eventos realizados no Auditório Municipal de Vila do Conde.

publicado por dolphin às 17:52

13
Jul 10

O ENCALHE DO DIONE

 

O “Dione”, navio que deslocava 746 toneladas, tinha sido construído em 1951 nos Estaleiros de S. Jacinto para a Empresa Continental de Navegação, Lda. de Lisboa, procedia de Setúbal com sal. Desde o dia 13 de Dezembro de 1956 que se encontrava ao largo de Viana, aguardando melhoria de tempo para poder entrar.

Tendo-se verificado uma acalmia no mar no dia 18-12-1956, mas que não permitia o embarque do piloto fora da barra, o capitão anuiu à sugestou dos pilotos em demandar a barra à sua responsabilidade, seguindo instruções dos pilotos, que na embocadura da barra o aguardavam na lancha para o pilotarem.

Cerca das 15 horas, quando o navio se encontarva com a “Ponta da Tornada” pelo través de estibordo, sofreu um “... violento golpe de mar que o fez perder o governo, encalhou no baixio de areia denominado “Ponta da Tornada” ...”[1].



 

Atendendo a que o navio não conseguia safar-se pelos próprios meios, foi imediatamente pedido o auxílio do rebocador “Rio Vez” da Junta Autónoma dos Portos do Norte (JAPN) que em vão tentou o desencalhe do “Dione”, tendo desistido em virtude do navio se encontrar bem preso ao fundo e a maré vazar com grande força.

Da torre dos Pilotos (donde eram transmitidas instruções para o navio, rebocadores, lancha dos pilotos e  salva-vidas), foram dadas ordens para se estabelecerem cabos do navio para a ponta do cais do Bugio com o intuito de evitar que o navio, devido à acção do mar que batia contra o costado com ondas alterosas, fosse atirado mais para cima da Ponta da Tornada.



 

Foram tentados todos os meios para desencalhar o “Dione” (alguns deles impensáveis nos dias de hoje), enviando para bordo, quando o mar o permitiu, homens para alijar carga do navio durante a noite e “...foi ainda despejado todo o gasóleo que se encontrava a bordo e que eram bastantes toneladas[2]”.

Aproveitando a subida da maré e o alívio de carga e combustível entretanto verificado, e contando com o auxílio de mais um rebocador, pertencente à Empresa de Quebramento de Rocha da Barra “Darque”, cerca das 23 horas foi tentado novamente o desencalhe, mas mais uma vez sem sucesso.

Entretanto, com a força da enchente e o corso do mar, partiram-se os cabos que prendiam o navio ao Bugio atirando-o mais para terra até perto do cais do Cabedelo, onde existiam umas pedras que lhe provocaram alguns rombos por onde começou a meter água, agravando ainda mais a possibilidade de flutuação e desencalhe.



 

Nova tentativa foi feita na maré da tarde do dia 19 com a ajuda do rebocador “Vandoma” que entretanto fora solicitado à Direcção dos Portos do Douro e Leixões e a colaboração do “Rio Vez” que também não surtiu efeitos.

A maré da noite de 19 para 20, por ser a última maré grande da fase da lua, foi aguardada com grande expectativa e esperança, “... mas apesar da boa vontade de quantos trabalharam e dos óptimos serviços prestados pelo rebocador “Vandoma” o “Dione” manteve-se na sua crítica posição.[3]


 

Depois de tantas tentativas e quando já nada previa o desencalhe, este foi conseguido na maré da tarde do dia 23-12-1956 cerca das 19 horas entrando de seguida para o anteporto, para alívio de todos especialmente os pilotos que finalmente ficaram aliviados daquele "monstro" à entrada da barra mesmo defronte da estação de pilotagem.



Fontes:

[1] A Aurora do Lima: 21-12-1956

[2] Idem: Ibidem

[3] Idem: Ibidem

Fotos: Autor desconhecido

publicado por dolphin às 16:00

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