Blog que retrata os acontecimentos do mar e porto de Viana e arredores, nos bons e maus momentos, dos pequenos aos grandes senhores.

01
Abr 10

7-FAROL DE MONTEDOR


A necessidade de dotar  a costa norte de Portugal entre Vigo e o Porto de um farol era premente, devido ao grande número de navios que passavam ao longo da costa, quer da aproximação aos portos de Viana do Castelo e do Porto. A ilustrar esta situação, o articulista do jornal "A Aurora do Lima" referia no nº 1765 de 23-09-1867, "Não há um único pharolim, e, vergonha é dizê-lo, até aos navios que demandam o fundeadouro ao sul da barra de Vianna lhes serve de guia uma pequena luz, que todas as noites  os pescadores collocam junto a um nicho onde está um santo, no forte da barra chamado Fortim".




Pela sua elevada posição e também pelo facto de formar naquele ponto um ângulo reentrante pelo mar (cabo), o monte de Montedor era o local mais indicado para se implantar um farol. A esta conclusão já antes tinha chegado uma comissão de oficiais de Marinha que há mais de 4 anos fizeram um estudo para este efeito e que apresentaram no Ministério da Marinha sem contudo ter sido tomada qualquer providência, como era reclamado com urgência.




Como já referi noutro post anterior, o projecto do farol de Montedor iniciou-se em 1883 e só 27 anos depois, em 20 de Março de 1910 é que foi inaugurado, fez há dias um século. Tive pena de não poder estar presente na cerimónia das comemorações, mas outros afazeres importantes coartaram-me essa presença.

 

Fontes: A Aurora do Lima, n.º1765 de 23-09-1867

M. Marinha - Lista de faróis de 1960

Viana do Castelo, 2010-10-27

Manuel de Oliveira Martins

publicado por dolphin às 23:27
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28
Mar 10

5 - MEDIDAS PARA EVITAR OS NAUFRÁGIOS

 

Como dissemos atrás, na costa portuguesa era frequente darem-se acidentes com navios, alguns deles de consequências nefastas para a tripulação.

O governo, preocupado com estes acontecimentos que em nada dignificavam o país, decidiu actuar no sentido de melhorar a eficácia no salvamento marítimo, a fim de evitar estas catástrofes cada vez mais frequentes. Através do Ministro de Estado dos Negócios da Marinha e do Ultramar, José da Silva Mendes Leal, resolveu tomar medidas conducentes à redução dos naufrágios. Assim, mandou El-Rei, por determinação daquela Secretaria de Estado, o seguinte:

"Que nas intendencias de marinha do reino e ilhas se faça cuidadosamente tomar nota de todos os naufrágios ocorridos nas costas compreendidas na circumscripção de cda uma das mesmas intendencias, devendo o complexo dessas notas ser remetido à dita secretaria d'estado no fim de cada semestre.

(...)

Que do mesmo modo será annualmente enviado à dita secretaria um relatório circumstanciado do estado dos portos, pharoes, signaes e balizas na respectiva circumscripção de cada intendencia, com a ponderação das necessidades que se houverem devidamente observado e aindicação dos recursos que a pratica e a sciencia aconselharem para diminuir o número de sinistros ou atenuar os seus effeitos."

(...)

Este despacho, denotando alguma preocupação, é manifestamente insuficiente porque se resume a inventariar os acidentes, o estado dos portos, faróis, sinais e balizas existentes, acompanhado dum relatório aconselhando os recursos a implementar.

Em 22 de Abril de 1864 o ministro da Marinha apresentou nas côrtes uma proposta de Lei que visava remediar, no imediato, as lacunas existentes na segurança costeira, apontando como primeira medida, a transferência do serviço de inspecção de faróis do Ministério das Obras Públicas para o Ministério da Marinha onde seria criada uma repartição especial de faróis.

O Ministro da Marinha traçou o diagnóstico da costa portuguesa apontando as lacunas em faróis ao longo da costa e no acesso aos portos, referindo que em 320 milhas de costa existiam apenas 7 faróis e desses sómente estariam em estado satisfatório o do Cabo Mondego e o de Santa Maria, no Algarve. Os do cabo da Roca e Espichel apesar de instalados em notáveis posições encontravam-se inadequados. O do Porto não tinha o alcance necessário para desempenhar o serviço que devia. O das Berlengas estava com uma luz fraca, talvez por necessidade de reparação ou negligência.

À reforma do material associava-se a reforma do pessoal, por que uma coisa está interligada com a outra.

A barra do Porto, bastante movimentada na época, estava munida do pequeno farol da Senhora da Luz cujo alcance não ia além de 12 milhas, insuficiente para a navegação fazer a aterragem (1) ao Douro com segurança.

Nas ilhas adjacentes o panorama era ainda pior, as costas insulares estavam em completa obscuridade, não havendo um só farol que o navegante pudesse utilizar quer na aproximação aos portos quer para rectificar a rota. No Ultramar tinha sido enviado recentemente para Moçambique um, enquanto para Cabo Verde fora requisitado outro. Sómente Goa possuía um pequeno farol na barra.

Com este panorama desolador, nada convidativo, a navegação foi repelida. Sendo a navegação um importante elemento do transporte marítimo e comercial, talvez o primeiro, e o comércio o móvel prioritário de criação de riqueza, fácil é concluirmos das consequências  para a economia nacional e da necessidade de serem implementadas medidas que conduzissem à transformação e mudança desta situação caótica da costa portuguesa.

Glossário: (1) - Aterragem - aproximação a terra

Fontes: A Aurora do Lima; 31-08-1863; 02-05-1864

Viana do Castelo, 2010-03-27

Manuel de Oliveira Martins

publicado por dolphin às 18:45

27
Fev 10

 

 Na primeira foto de Setembro de 1947 pode ver-se a ligação da Ínsua ao Camarido e a Moledo. Nas fotos actuais de Janeiro de 2010 vemos o desgaste provocado nas areias dunares da praia de Moledo e do Camarido, deixando as pedras à vista.

 

Segundo o Moderno Dicionário Enciclopédico, ínsua é uma ilhota de areia situada na foz de um rio. O mesmo dicionário também considera como sendo uma pequena ilha de areia banhada por um rio ou levada.

Nos rios Minho e Lima existem algumas ínsuas formadas por sedimentos transportados pelas águas mansas que encontraram obstáculos e os foram retendo dando origem a pequenas ilhotas no leito dos rios. São exemplos, entre outras, a ínsua Cavalar no rio Lima e a ínsua da Boega no rio Minho.

A ínsua existente na foz do rio Minho, com o nome de ÍNSUA, insere-se na primeira definição acima expressa. Esta ínsua fica situada actualmente a meio da foz do rio Minho e dista da costa cerca de 0,2 M (1 milha = 1852,16 metros) e a sua configuração é no sentido norte/sul numa extensão de 0,4 M com pouca elevação em relação ao nível do mar. Na parte mais elevada existe uma fortaleza mandada construir por D. João I em 1388, no interior da qual está implantado um convento Franciscano fundado em 1392 pelo frade Diogo Aires, nas ruínas da antiga ermida de Santa Maria de Carmes. Ao longo dos tempos esta fortaleza sofreu várias transformações, tendo, depois da expulsão das ordens religiosas, passado para a posse do estado e em 1896 sido instalado um farol.

Ao redor desta ilhota existem vários afloramentos rochosos sendo o mais importante a Ínsua Velha, quase junto à Ínsua. Pelo norte e pelo sul existem outras pedras perigosas para a navegação como Leixões, Cambalhão Norte, os Cambalhões, a Filha da Lage e a Baixa do Carreiro.

Esta ínsua é de constituição geológica granítica e está coberta em algumas partes de areia. Foi primitivamente uma península que se transformava em ilha na praia-mar, razão pela qual desde a fixação da fronteira com a Galiza é pertença de Portugal.

Segundo o dr. Manuel Busquets de Aguillar escreve no Roteiro de Viana de 1968, “Conhecida a Ínsua como ilha desde a vinda dos Romanos à Península Ibérica, a sua existência como península é, quando muito, do começo da época quaternária ou ainda mais antiga”.

Hermann Lautensach, no livro, Formação dos Terrenos Interglaciários do Norte de Portugal e suas relações com os problemas da Época Glaciária, Porto, 1945, pág.25, demonstra a junção com o litoral espanhol afirmando que o rio Minho desaguava por dois braços aquando da formação do terraço superior, ficando o monte de S. Tecla no meio formando uma ilha. Nessa altura, S. Tecla e a Ínsua deviam estar ligadas, formando uma só.

Com o decorrer dos séculos, o braço norte que corria entre S. Tecla e a costa norte Galega, onde hoje é Salcidos e A Guarda, ficando o rio a desaguar pelo braço sul.

Com todo o fluxo da corrente do rio Minho a desaguar pelo braço sul, a sul de S. Tecla, dá-se a formação da Ínsua como uma ilha desde a época pré-histórica.

Tal como aconteceu com quase todos os rios portugueses, deu-se a acumulação de areias onde hoje é a mata do Camarido, estreitando o rio e diminuindo o caudal do rio pelo braço sul, obrigando a corrente a ser mais forte pela barra norte entre a Ínsua e S. Tecla e, salvo duas excepções, começaram a ligar-se a Ínsua e o Camarido, uma vez por século, como aconteceu em 1582;1629; 14 de Setembro de 1708; fins de Outubro de 1895; 14 de Setembro a 4 de Novembro de 1947;  e de 14 a 19 de Outubro de 1966.

Actualmente, devido aos temporais de Novembro e Dezembro passados, o mar limpou a areia da praia de Moledo e Camarido, aumentando a distância à ÍNSUA. 

 

 Fontes: Roteiro de Viana, 1968

 

Viana do Castelo, 27 de Fevereiro de 2010

Manuel de Oliveira Martins

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
publicado por dolphin às 11:23
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01
Jun 07

 

QUADRO 11

FAROL DO CABO DE S. VICENTE

Óleo s/tela - 35X27 

2002-11-19

 

Quando vinha do sul em direcção a Lisboa ou a Aveiro, caso do navio"TROPICAL", da Empresa de Pesca Miradouro, Lda., onde  andei durante três anos na zona do Sudoeste Africano na pesca da pescada, o primeiro farol que avistava antes de chegar a solo português era o farol do C. de S. Vicente.

Por esse motivo é também um dos meus faróis preferidos e, tal como os anteriores, resolvi recordá-lo através desta forma de expressão plástica a que me dediquei nos tempos livres e despreocupados da minha vida de reformado.

A propósito deste farol vou contar uma história passada comigo a bordo do navio " Praia do Restelo" em 1976 quando regressava duma viagem de pesca à Mauritânia ou Cabo Branco como também chamavamos, por a zona de pesca se situar nas imediações do Cabo Branco.

Depois de passarmos as Canárias, Lanzarote mais precisamente, tracei rumo em direcção ao Cabo de S. Vicente. Durante a viagem até ao Algarve não tivemos sol para observar e fizemos navegação estimada, sem possibilidade de rectificarmos a posição, além disso fomos fustigados por uma nortada rija que nos fazia derivar para sueste. Estimava passar o São Vicente pela madrugada e, quando me fui deitar cerca da uma hora da manhã avisei o Mestre para estar atento que devíamos avistar o farol do C.de S. Vicente durante a noite, assim que o avistasse me chamar.

 

 

Cópia da Lista de Faróis de 1960

 

Eram cerca das quatro horas quando o mestre me chamou: - Senhor Capitão o farol está na proa. Levantei-me num salto e dirigi-me para a ponte que era ali mesmo ao lado. Peguei nos binóculos e comecei a contar os relâmpagos(4) seguido de ocultação. Verifiquei na carta e disse para comigo :-"Mas isto não pode ser, este é o Cabo de Santa Maria!". O navio estava muito para leste da posição estimada. Contei os relâmpagos novamente e o período de tempo para me certificar. Com efeito era o farol do Cabo de Santa Maria, o farol do Cabo de S. Vicente emite um relâmpago seguido de ocultação com um período de 5 segundos,enquanto o de Sta. Maria emite um grupo de 4 relâmpagos com um período de 15 segundos. Estava desfeita a dúvida, havia que traçar rumo para oeste, estavamos muito atirados para leste devido ao caímento provocado pela forte maresia apesar da correcção que efectuamos no rumo para atenuar o desvio derivante.

Foi assim na minha primeira viagem ao Cabo Branco em que saí de Lisboa como Imediato do Santa Luzia e entrei em Lisboa a comandar o Praia do Restelo. Por motivo de doença súbita do Capitão Lino, tive de passar do Ilha de Santa Luzia no mar para o Praia do Restelo e ir a Nouadhibou deixá-lo no hospital e acabar a viagem de pesca.

publicado por dolphin às 19:12
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QUADRO 12

FAROL DE MONTEDOR

Óleo s/tela - 45X38

2002-11-22

 

 Extraído da Lista de Faróis de 1960

Outro farol que me diz muito, especialmente quando trabalhei na Empresa de Pesca de Viana do Castelo, como imediato do navio "SÂO RUY" nos anos de 1975/76.

Foi o primeiro ponto que vi quando regressei dessa longa viagem de quase 5 meses de barra a barra.

Nada é tão reconfortante para o homem do mar que o regresso ao aconchego do lar depois de meses e meses de ausência e, a aproximação ao porto de origem cria uma ansiedade ininarrável porque vivida  e sentida à maneira de cada um  e o farol do porto ou das proximidades do porto, como é o caso de Montedor, próximo de Viana do Castelo, é como um cúmplice dessa ansiedade, com os flaxes luminosos na escuridão da noite, quando a chegada acontece de noite ou com a sua presença altaneira e conspícua, sobranceira ao mar, como que contemplando a chegada do navio quando esta ocorre de dia.

Outros faróis que me dizem muito e que foram companheiros nos bons e maus momentos durante 19 anos, foram os faróis de Santiago da Barra e da Senhora D'Agonia que constituem o enfiamento da barra de Viana do Castelo.

 

publicado por dolphin às 00:31
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30
Mai 07

Para o homem do mar os faróis são auxiliares importantes e fundamentais, especialmente na navegação costeira, na aproximação a terra e na demanda dos portos.

Ao longo da minha vida ligada ao mar, quer enquanto tripulante quer como piloto da barra, os faróis tiveram uma importância relevante e determinante, por isso quis testemunhar o meu apreço, pintando-os.

 

 

QUADRO 10 

Farol de Aveiro

Óleo s/ tela - 40X33

2002-11-14

Este quadro foi oferecido para ser leiloado a favor de uma obra meritória de que não posso nem devo revelar o nome e desconheço quem o adquiriu mas agradeço a quem tiver ficado com ele.

 

Extraído da Lista de Faróis de 1960

 

Desde pequeno que este farol me fascina. Primeiro pela altura, é o mais alto de Portugal em estrutura, depois pelas histórias que me contaram relativas aos naufrágios ocorridos na barra com o mesmo nome e que me ocorre uma alusiva à inauguração em 1906.

Vivia na praia da Barra nos finais do sec.XIX princípios do sec. XX, um nadador-salvador, de quem não me ocorre o nome, famoso pelos inumeráveis salvamentos de pessoas, vítimas de naufrágios que ocorreram na entrada da barra de Aveiro.

Este homem de forte estatura e compleição física invulgar, prestou serviço militar na Armada e foi subordinado do Rei D. Carlos I, então 1º ou 2º tenente de Marinha, daí lhe ter advindo o cognome de rei marinheiro, pela dedicação e gosto pela actividade de oceanografia/hidrografia que desenvolveu com trabalhos muito importantes nestas áreas.

Quem veio inaugurar o Farol de Aveiro foi o rei D. Carlos I que aproveitou a ocasião para condecorar o intrépido nadador-salvador pela sua acção em defesa da vida humana dos homens do mar. Conta quem presenciou a cerimónia que o "gigante" e destemido marinheiro abraçou o rei, que também era bem constituído, dizendo: - Olá Carlos, como passas? As pessoas presentes ficaram estupefactas e surpresas perante tão à vontade do nadador para com o rei e o caso foi falado nas redondezas por muito tempo e o respeito que já tinha ficou mais fortalecido com este acontecimento.

O "nosso herói" gabava-se de nunca ter ido a um médico nem ter uma dor de cabeça em quase cem anos de vida. O "mata-bicho"(pequeno almoço)dele era um "marquês"(medida equivalente a 1/4 de litro) de "cachaça"(aguardente de bagaço) que bebia de um trago.

Não tinha descendentes directos, creio mesmo que era solteiro, vivia com uma sobrinha nos últimos anos da sua longa vida. Costumava-se levantar muito cedo, logo ao alvorecer, era o primeiro a chegar à taberna onde o taberneiro lhe servia o mata-bicho habitual, sem necessidade de pedir. Um dia a sobrinha estranhou o tio não se levantar e, preocupada, foi indagar o que se passava e deparou com o tio na cama.

Está doente tio? - perguntou. Não sei o que tenho rapariga, respondeu o tio numa voz rouca e abafada, deixando a sobrinha ainda mais preocupada. Onde estava a altivez e postura autoritária do tio a que se habituara ao longo dos anos de convivência?

Perplexa,sem saber o que fazer, levou o tio ao médico. Este auscultou e perante a informação da sobrinha que o tio gostava de beber, especialmente de manhã tomar o mata-bicho, proibiu de tal abuso especialmente nessa idade.

O homem veio para casa ainda pior do que entrou no consultório do médico, não se conformando com tão drástica receita e fazendo menção de não cumprir o estipulado pelo médico. A sobrinha a muito custo conseguiu mentalizá-lo que tinha de cumprir para bem dele. De dia para dia o homem ia piorando e a sobrinha não resistiu ao último pedido.

Rapariga, a última coisa que te peço é que me vás comprar uma garrafa de cachaça para eu me consolar. - A sobrinha não conseguiu dizer não ao tio e foi à taberna comprar a tão desejada como nefasta aguardente.

O velho marinheiro bebeu sofregamente a tão almejada quanto benéfica droga (para ele) e, para espanto da sobrinha começou a melhorar de dia para dia e a partir do terceiro dia retomou os seus hábitos normais passando todas as manhãs a ir à taberna beber o "marquês" de "cachaça", como o fizera em toda a vida.

Morreu no ano em que fazia cem anos não chegando a festejar a data.

 

Para além desta história que ouvi contar a um grande homem que influenciou muito a minha decisão de optar pela vida do mar, o Capitão Manuel Ferreira da Silva (Sardo), o farol de Aveiro tem para mim outro significado. Grande parte da minha vida de embarcado foi passada em navios da praça de Aveiro, como tal, quando regressava de viagem, o primeiro ponto de contacto era o farol e por isso o considero um dos faróis da minha vida.

publicado por dolphin às 22:04
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