Blog que retrata os acontecimentos do mar e porto de Viana e arredores, nos bons e maus momentos, dos pequenos aos grandes senhores.

03
Jun 07

MISCELÂNEA DE TEMAS

Ao longo do tempo fui pintando quadros diversos, uns a pedido, outros por desejo pessoal. Os primeiros destinados a oferecer a familiares ou amigos que me pediam para pintar um determinado motivo que gostavam ver representado; os segundos por que  naquele momento me apeteceu pintar esse motivo. Os quadros que apresento são pois uma miscelânea de temas.

 

QUADRO 14

NUDEZ

Óleo s/tela - 60X80

2003-04-08

A minha filha um dia manifestou-me o desejo de ter no quarto um quadro representando uma mulher nua e eu fiz-lhe a vontade. Encontrei numa revista esta foto a preto e branco e " colori-a" à minha maneira oferecendo-lhe este quadro que ela gostou.

 

 

 QUADRO 15

TRAINEIRAS

Óleo s/tela - 60X82

2003-04-09

Sempre me fascinaram os reflexos das coisas na água. Os objectos adquirem formas bizarras e estranhas quando reflectidos no espelho de água que, conforme a quietude ou turbulência, dão um efeito abstracto que me entusiasma e atrai.

 

 

 QUADRO 16

CONTRALUZ

Óleo s/tela 60X40

2003-04-10

O pôr do sol, as cores amarelo-alaranjadas do fim de tarde, a contra-luz, as sombras do crepúsculo, as tonalidades metálicas do céu, são elementos da natureza que me impelem e estimulam, não resistindo a uma pintura.

 

 

 QUADRO 17

CHAFARIZ

Óleo s/tela(espátula) - 61X46

2003-05-10

Uma vista da minha terra do miradouro do Côvo, foi a paisagem que me despertou interesse para praticar a técnica da espátula que penso consegui dar forma.

 

 

 QUADRO 18

ESFORÇO

Óleo s/tela - 60X40

2003-07-15

O trabalho duro dos homens do mar está representado neste quadro que visualizei no cortejo etnográfico das Festas da Romaria da Senhora D'Agonia em Viana do Castelo e que ofereci ao meu irmão.

 

  

 QUADRO 19

PEIXES DELICADOS

Óleo s/tela -80X60

2003-10-15

 Quando o meu filho era criança, montei-lhe um aquário de peixes tropicais de cores exóticas que ele adorava. Um dia, quando fui para viagem, deu-lhe tanto comer que estragou a água e os peixes morreram. Quando cheguei de viagem contou-me pesaroso o sucedido. Sosseguei-o e pus o aquário de novo a funcionar com novos peixes que duraram até que um dia mudamos de casa de Carcavelos para Viana do Castelo e levamos connosco o aquário vazio com a intenção de o voltar a montar. Isso não foi possível por diversos motivos, em especial por que não havia nessa altura comercialização de peixes de aquário em Viana do Castelo. Um dia fui ao sótão onde encontrei o aquário vazio e lembrei-me fazer uma pintura de peixes tropicais, a que chamei "delicados" por que de facto o são e ofereci este quadro ao meu filho.

 

 

QUADRO 20

SR. AGOSTINHO

Óleo s/madeira - 40X30

2004-02-28

Este quadro foi oferecido ao meu amigo Carlos Alberto Vieira, pelos anos dele em sinal de homenagem ao pai, Sr. Agostinho Vieira. Trata-se de um retrato baseado na fotografia a preto e branco  extraída do Livro de Matrículas dos Pilotos da Barra do Porto de Viana do Castelo, onde ele foi piloto e chefe de Departamento quando ingressei nos pilotos da barra de Viana do Castelo. Foi o primeiro e único retrato que pintei. A técnica do retrato não é fácil, é preciso ter o dom de captar a expressão e dar-lhe forma que ainda é mais dificil.

 

 

  QUADRO 23

MALMEQUERES

Óleo s/tela - 150X90

2004-07-06

Feito a pedido da minha filha para emoldurar uma parede da casa  dela. Confesso que foi o quadro que mais me custou a pintar porque não me motivou absolutamente nada e cada pincelada que dava tinha a sensação que não se enquadrava. A muito custo e ao fim de muito tempo consegui acabar o quadro que ela gostou, mas que a mim nada me disse.

 

 

 QUADRO 24

BAIXA MAR

Óleo s/tela - 90X70

2004-07-20

Esta policromia de cores que se verifica na baixa-mar de uma zona rochosa como é a Praia Norte em Viana do Castelo, inspirou-me a pintar este tema que mais parece um quadro de natureza abstracta mas não é, é real.

 

 

 QUADRO 25

MEDUSA

Óleo s/tela - 90X70

2004-08-

Quando andava em viagem, especialmente quando ia para África, na zona do Senegal, lembro-me de ver à tona de água, uma espécie de meias luas de cõr violeta pálido que deslizavam ao sabor do vento - eram aquilo a que os navegadores portugueses baptizaram de " caravelas portuguesas" por se assemelharem às caravelas. Nessa altura, não sabia que se tratava de uma colónia flutuante de pólipos urticantes com configuração diferente( poliformismo) e se assemelham à medusa e albergam normalmente um peixe do género Nomeus que é imune ao tóxico exalado pelo celenterado( medusa).

 

 

           

 

Exposição  realizada no Solar do Alvarinho em Melgaço

 

Estes e outros quadros estiveram expostos durante o mês de Maio de 2005 no Solar do Alvarinho em Melgaço a pedido desta Associação de Produtores de Vinho Alvarinho da Sub-região de Melgaço-Monção.

publicado por dolphin às 22:28
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02
Jun 07

 

AS RECORDAÇÕES DA PESCA DO BACALHAU À LINHA

 

 

 

QUADRO

PREPARANDO O DÓRI

Óleo s/tela - 58X41

2004-04-01

 

Na pesca à linha os dóris eram a ferramenta essencial, por isso o pescador tinha um cuidado especial na preparação do seu  barco apetrechando-o à sua maneira, segundo os seus hábitos, não podendo adulterar as formas, iguais em todos eles, para poderem ser empilhados a bordo.

 

.

 

QUADRO 22

REMANDO P'RA BORDO

Óleo S/Tela - 58X38

2004-04-01

 

A vida do pescador à linha era dura, obrigando-o a um grande esforço e desgaste quer na pesca durante o dia inteiro quer remando o seu bote para o largo ou para bordo.

Andei na pesca à linha no último ano da sua existência (1974). Nessa altura o pescador pouco remava, porque usava um motor a gasolina que lhe permitia afastar-se ou aproximar-se do navio-mãe sem o esforço que era exigido aos pescadores de antanho.

 

 

 

QUADRO 26

PESCANDO O FIEL AMIGO

Óleo S/tela - 40X60

2004-09-22

 

Cada pescador ficava entregue a si próprio no meio do mar, contando com a sua perícia, experiência, arte e a sua sorte...durante o dia inteiro. Largava as linhas (trol) e enquanto lhes dava tempo de pesca, ia zagaiando ritmadamente a linha de mão (zagaia) com as mãos calejadas de tanto alar e arriar as linhas de pesca, na tentativa de apanhar o fiel amigo (bacalhau).

 

 

 

QUADRO 27

ESCALA DO BACALHAU

Óleo s/tela - 100X80

2004-09-23

 

Depois de recolhidos os dóris e do jantar seguia-se a escala do bacalhau, que consistia em várias operações: - trote, partir cabeças, escala e salga do peixe no porão. Dependendo da quantidade de peixe a processar, a escala estendia-se normalmente até perto da meia noite,  quando terminava antes era mau sinal, o peixe tinha sido pouco; se ia para além da meia noite era bom sinal, a pesca tinha sido boa. Em qualquer dos casos, restava pouco tempo para descansar, porque no dia seguinte os "louvados" (levantar) eram às seis e esperava-os um dia árduo no pequeno bote ao sabor do mar e do tempo.

publicado por dolphin às 23:53
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01
Jun 07

 

QUADRO 11

FAROL DO CABO DE S. VICENTE

Óleo s/tela - 35X27 

2002-11-19

 

Quando vinha do sul em direcção a Lisboa ou a Aveiro, caso do navio"TROPICAL", da Empresa de Pesca Miradouro, Lda., onde  andei durante três anos na zona do Sudoeste Africano na pesca da pescada, o primeiro farol que avistava antes de chegar a solo português era o farol do C. de S. Vicente.

Por esse motivo é também um dos meus faróis preferidos e, tal como os anteriores, resolvi recordá-lo através desta forma de expressão plástica a que me dediquei nos tempos livres e despreocupados da minha vida de reformado.

A propósito deste farol vou contar uma história passada comigo a bordo do navio " Praia do Restelo" em 1976 quando regressava duma viagem de pesca à Mauritânia ou Cabo Branco como também chamavamos, por a zona de pesca se situar nas imediações do Cabo Branco.

Depois de passarmos as Canárias, Lanzarote mais precisamente, tracei rumo em direcção ao Cabo de S. Vicente. Durante a viagem até ao Algarve não tivemos sol para observar e fizemos navegação estimada, sem possibilidade de rectificarmos a posição, além disso fomos fustigados por uma nortada rija que nos fazia derivar para sueste. Estimava passar o São Vicente pela madrugada e, quando me fui deitar cerca da uma hora da manhã avisei o Mestre para estar atento que devíamos avistar o farol do C.de S. Vicente durante a noite, assim que o avistasse me chamar.

 

 

Cópia da Lista de Faróis de 1960

 

Eram cerca das quatro horas quando o mestre me chamou: - Senhor Capitão o farol está na proa. Levantei-me num salto e dirigi-me para a ponte que era ali mesmo ao lado. Peguei nos binóculos e comecei a contar os relâmpagos(4) seguido de ocultação. Verifiquei na carta e disse para comigo :-"Mas isto não pode ser, este é o Cabo de Santa Maria!". O navio estava muito para leste da posição estimada. Contei os relâmpagos novamente e o período de tempo para me certificar. Com efeito era o farol do Cabo de Santa Maria, o farol do Cabo de S. Vicente emite um relâmpago seguido de ocultação com um período de 5 segundos,enquanto o de Sta. Maria emite um grupo de 4 relâmpagos com um período de 15 segundos. Estava desfeita a dúvida, havia que traçar rumo para oeste, estavamos muito atirados para leste devido ao caímento provocado pela forte maresia apesar da correcção que efectuamos no rumo para atenuar o desvio derivante.

Foi assim na minha primeira viagem ao Cabo Branco em que saí de Lisboa como Imediato do Santa Luzia e entrei em Lisboa a comandar o Praia do Restelo. Por motivo de doença súbita do Capitão Lino, tive de passar do Ilha de Santa Luzia no mar para o Praia do Restelo e ir a Nouadhibou deixá-lo no hospital e acabar a viagem de pesca.

publicado por dolphin às 19:12
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QUADRO 12

FAROL DE MONTEDOR

Óleo s/tela - 45X38

2002-11-22

 

 Extraído da Lista de Faróis de 1960

Outro farol que me diz muito, especialmente quando trabalhei na Empresa de Pesca de Viana do Castelo, como imediato do navio "SÂO RUY" nos anos de 1975/76.

Foi o primeiro ponto que vi quando regressei dessa longa viagem de quase 5 meses de barra a barra.

Nada é tão reconfortante para o homem do mar que o regresso ao aconchego do lar depois de meses e meses de ausência e, a aproximação ao porto de origem cria uma ansiedade ininarrável porque vivida  e sentida à maneira de cada um  e o farol do porto ou das proximidades do porto, como é o caso de Montedor, próximo de Viana do Castelo, é como um cúmplice dessa ansiedade, com os flaxes luminosos na escuridão da noite, quando a chegada acontece de noite ou com a sua presença altaneira e conspícua, sobranceira ao mar, como que contemplando a chegada do navio quando esta ocorre de dia.

Outros faróis que me dizem muito e que foram companheiros nos bons e maus momentos durante 19 anos, foram os faróis de Santiago da Barra e da Senhora D'Agonia que constituem o enfiamento da barra de Viana do Castelo.

 

publicado por dolphin às 00:31
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