Blog que retrata os acontecimentos do mar e porto de Viana e arredores, nos bons e maus momentos, dos pequenos aos grandes senhores.

18
Set 10

Só um grande motivo me podia desviar de assistir ao programa deste evento relacionado com embarcações. De facto não pude dizer que não aos meus netos e fui com eles ao Campo do Gerês aos anos duns amiguinhos.

Ontem, porém, consegui assistir à montagem da exposição de terra de alguns barcos junto à Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, onde tirei algumas fotografias interessantes e hoje pela manhã ainda tive oportunidade de assistir a algumas manobras de embarcações tradicionais no estuário do Rio Lima, tirando algumas fotografias não muito conseguidas, devido à posição em que me encontrava na margem direita do rio, contra o sol. Apesar destes inconvenientes, não resisti a fixar na digital algumas manobras dessas embarcações que aqui apresento.

À tarde, tive pena de não poder assistir aos outros pormenores do programa, especialmente assistir ao seminário, que certamente foi interessante atendendo aos temas propostos.


 

A masseira ou gamela guardesa muito usada em Vila Praia de Âncora

 


 

 

Catraia N.ª S.ª D'Agonia do Clube de Vela de V. do Castelo

 

 

Barco moliceiro da Associação Amigos da Ria, da Murtosa

 

 

Uma catraia (?) bolinando no rio Lima

 

 

Catraia N.ª S.ª dos Anjos de Esposende

 

 

A catraia "Briosa" de Vila do Conde à bolina, cruzando com outra (?) a um largo no rio Lima

publicado por dolphin às 23:20

Foi no longínquo ano de 1939 que o lugre de 4 mastros, casco em aço e motor auxiliar, entrava nas águas do Lima, para aí fazer hiberneira depois da 1.ª viagem ao mar Ártico.

Durante 26 anos fez de Viana do Castelo o seu porto de abrigo e descanso para repousar das agruras e tormentas dos mares gelados da Terra Nova e Groenlândia até à partida para nova campanha.

Um dia foi vendido pela Empresa de Pesca de Viana, em fase de renovação da frota, à Empresa Ribau da Gafanha da Nazaré.

Em 1970, fui convidado, através de um amigo, a embarcar de Imediato no S.M.Manuela. Apresentei-me ao capitão João Guilherme, mas nesse mesmo dia fui "transferido" para o Avé Maria e passado uma semana estava a matricular de piloto no Lutador para a minha 1ª viagem à pesca do bacalhau.

O S. M. Manuela foi um navio que deixou muitas saudades em Viana do Castelo não só aos que nele embarcaram como aos vianenses em geral, por isso a vinda deste navio em romagem de saudade, vai por certo trazer muita emoção e carinho aqueles que de perto viveram as partidas e chegadas como eram sentidas naqueles tempos distantes.

Esta manhã (17) não resisti à tentação de ir ver entrar o S. Maria Manuela pelo canal de acesso ao Cais Comercial, percurso diferente daquele que estava habituado a fazer no acesso à antiga Doca Comercial e tirei algumas fotos que ficarão como recordação desta visita de cortesia.

 

Entrada entre molhes

 

 

Com dois "roncadores" pelos traveses - a BB o de pedra; a EB o de aço

 

 

Rumo ao novo cais

 

 

Com a bóia de "bifurcação" por BB

 

 

Espreitando os estaleiros com o Atlântida em espera . . .

 

 

Serenamente rio acima

 

 

Com a Estação de Pilotos na amura de BB

 

 

Contemplando a cidade e o Monte de Santa Luzia

 

 

Repousando no Cais Comercial contemplando de longe a cidade

 

 

Até parece que está na Doca Comercial

publicado por dolphin às 00:56

11
Set 10

80º Norte e Histórias Desconhecidas dos Grandes Trabalhadores do Mar, são títulos de dois livros da autoria do Capitão da Marinha Mercante Valdemar da Cruz Aveiro, ontem lançados ao público em Viana do Castelo a bordo do Navio-museu "Gil Eannes", pela editora "Futura".

 

O "Capitão Valdemar" como é sobejamente conhecido de norte a sul de Portugal no meio piscatório e empresarial do sector bacalhoeiro, para além  das suas qualidades morais de bondade, solidariedade e amizade, é um contador nato de histórias factuais que aconteceram na sua longa vida de homem do mar.

 

Na dissertação que ontem fez a propósito da reedição destes dois livros, confessou, visivelmente emocionado, que um dos motivos porque os escreveu deve-se à "saudade" que sentiu do mar, da actividade da pesca, dos homens que o acompanharam na "Grande Faina" ao longo dos anos e da necessidade de dar visibilidade à "Epopeia do Bacalhau" para que ficasse na memória dos homens, por que a tradição oral perde-se ao fim de duas gerações.

 

A maneira sentida como descreveu as passagens reais e o ênfase que pôs nas palavras, cativaram o auditório que seguiu atentamente a sua palestra, culminando com uma efusiva salva de palmas.

Muito mais havia para dizer a respeito do Capitão Valdemar, mas a melhor forma do leitor conhecer o autor é lendo a sua obra que aconselho, não só pela novidade como pela forma como é descrita, que nos cativa do princípio ao fim.

publicado por dolphin às 13:23
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22
Ago 10

 

A Guerra do Ultramar condicionou a vida de muitos jovens, especialmente aqueles que tinham idade para ir “às sortes”, como se dizia a respeito dos mancebos em idade de ir à tropa que tinham  à volta dos vinte anos.

Era um problema para todos e dum modo especial para os estudantes que viam os cursos interrompidos se, por  um precalço, “chumbassem”. Conheci alguns a quem isso sucedeu e que, regressados do Ultramar, não mais continuaram os estudos.

Para muitos estudantes, o Curso de Oficial da Marinha Mercante era uma fuga para a frente, pois permitia, não só tirar um curso, como evitar de “assentar tropa” e ser convocado para a Guerra do Ultramar.

A tropa dos alunos da Escola Náutica era feita em dois ciclos na Reserva Marítima. O 1.º Ciclo da Reserva Marítima realizava-se no final do 1.º ano curricular e desenrolava-se nas “férias grandes”, como então se dizia.

 

1 - Alcântara - Quartel de Marinheiros

 

O meu primeiro ciclo (e único) da R.M. ocorreu no Verão de 1968. Antes de “assentar praça” no Quartel de Marinheiros de Alcântara, tive de mandar fazer as fardas da “praxe”. Para o efeito, antes mesmo do final do ano escolar, recebi uma espécie de “autorização“  para poder adquirir na Cordoaria Nacional de Marinha os tecidos de sarja azul e branca para mandar fazer as fardas de serviço e de cerimónia exigidas por lei.

 

 

2 - Lisboa-R. da Junqueira - Antiga Cordoaria Nacional

 

O último período do ano escolar era bastante agitado. Para além dos exames anuais havia a preparação das fardas, as provas, a compra dos adereços, boinas, bivaques, sapatos, etc. No dia primeiro de Julho lá fui para Alcântara apresentar-me no quartel juntamente com os colegas daquele ano. Eramos cerca de cento e oitenta que foram divididos em dois grupos. Um grupo que iniciou a “recruta” a bordo do navio-escola “Santo André”, “ex-Sagres” e o outro que iniciou na Escola de Fuzileiros em Vale de Zebro e no qual fui integrado. Depois de um mês em cada uma destas unidades navais, os grupos trocavam de posições, terminando no final de Agosto o 1.º Ciclo de Incorporação Militar na Reserva Marítima.

Eramos incorporados na qualidade de Cadetes da Reserva Marítima e no final do ciclo regressávamos ao Quartel de Marinheiros de Alcântara – Base da Reserva Marítima – onde nos passavam à disponibilidade pelo período de um ano, findo o qual nos tínhamos de apresentar e requerer nova licença de disponibilidade por igual período durante 6 anos consecutivos. Ao fim de 6 anos de ogrigatoriedade de embarque em navios mercantes ou de pesca nacionais íamos então frequentar o 2.º ciclo da Reserva Marítima durante quatro meses na Base Naval do Alfeite na Escola de Limitação de Avarias. Não cheguei a frequentar este ciclo porque entretanto, e em resultado do 25 de Abril, houve alterações na lei que regulava a Reserva Marítima e fui licenciado como Aspirante da Reserva Marítima e mais tarde passei à Reserva como Subtenente da Reserva Marítima.

Esta faceta da minha vida contém aspectos tão marcantes e rocambolescos que ainda hoje, passados 42 anos, ainda estão presentes na minha memória e por isso entendo que os devo recordar.

Embarcamos em Alcântara num autocarro da Marinha com destino a Vale de Zebro, na margem direita do rio Coina que desagua no Mar da Palha junto ao Barreiro.

 

3 - Vale de Zebro - Entrada do Quartel de Fuzileiros

 

Depois de despejarmos as malas nos antigos alojamentos dos oficiais, um edifício situado no fim da parada com vista para o rio, a ordem era para formar em frente às instalações, ainda civilmente vestidos, onde nos foram transmitidas as primeiras instruções.

Foi difícil ao oficial encarregado da formatura posicionar  os noventa reservistas ”rebeldes” e pouco motivados para em pleno Verão e especialmente em férias, formarem no calor abrasador da parada de Vale de Zebro.

O primeiro dia foi de adaptação e o pessoal, habituado ainda à vida civil julgava que estava no Bairro Alto ou no Cais do Sodré e não se controlou. Desde a jogatina da “Lepra”, às partidas nas camaratas - qual delas a mais hilariante, até à ida para a beira do rio dormir por causa do calor insuportável nas casernas com os cobertores pela cabeça, autênticos “serandeiros” , tudo valeu para despertar a vigilância de um quartel militar. A patrulha de serviço apresentou-se e mandou formar os “senhores cadetes” na parada, já passava da meia noite para pedir explicações, apurar culpados e impor  castigos. Valeu a prestimosa ajuda de um nosso colega, sobrinho do Ministro da Marinha, que telefonou ao tio para interceder junto do Comando do quartel.

O castigo não era exagerado, um fim de semana cortado, não prejudica muito, contudo, os que eram naturais de Lisboa e arredores não viam com bons olhos a perda dessa regalia depois de passarem uma semana no “degredo” como alguns irónicamente apelidavam o 1.º ciclo da R.M.

O castigo foi levantado, mas o comando não gostou da intervenção, como transpareceu durante a nossa estadia naquela unidade, através da forma rigorosa como a recruta foi ministrada, parecendo que se tratava de treino de preparação para combate como o que era ministrado aos fuzileiros navais. Neste aspecto nada podíamos obstar, embora alguns opinassem que devíamos manifestarmo-nos contra, outros, mais conscienciosos e ponderados demoviam o grupo de tomarem tal posição que podia tornar-se prejudicial.

Não nos podíamos esquecer que estavamos num quartel e num regime que não privilegiava esse tipo de reacção e se a maioria estava ali para não ir “bater com os costados” na guerra, não fazia sentido estarmos a contestar  a instrução, porque podia ser pior a “emenda que o soneto” e irmos parar à frente de guerra onde se falava havia necessidade de efectivos, especialmente “fuzas”, como era o nosso caso.

 

4 - Vale de Zebro - Pista de lodo

 

O segundo dia foi marcado por um “cross” de cinco quilómetros em passo acelerado, comandado pelo instrutor, em terreno arenoso com obstáculos imprevistos que arrasou a maioria dos “senhores cadetes”, como irónicamente os instrutores nos chamavam. Daí para a frente as dificuldades foram crescendo, a “aldeia dos macacos”, a pista de lodo, o “Slide” com queda no lodo, etc. De bom só a piscina onde os cadetes da Reserva Marítima foram de facto “Senhores” e brilharam em todas as provas, conquistando quase todas as medalhas que havia em disputa, ou não estivessem entre eles alguns dos melhores nadadores do Algés e Dafundo, caso do Casaca, Ribas, Dantas e outros que não me lembro.

Nem tudo era mau naquele cenário pró-guerra. A Marinha sempre se ufanou de tratar bem o pessoal. Em termos alimentares pecava por excesso, pese embora alguns mesmo assim contestarem. Todos sabemos que num rebanho existe sempre uma ovelha ranhosa que habituada normalmente ao mau pasto, não sabe distinguir o que é bom do mau e está sempre a berregar.

 

5 - Vale de Zebro - Piscinas

 

Cabe aqui agora contar a cena verídica do saudoso colega e amigo Viana Cabral que demonstra sobejamente a fartura de comida que abundava em todas as refeições sem restrições.

O bom amigo Viana Cabral era mesmo uma boa alma (para além de muitos e importantes cargos que ocupou, foi Presidente da Amnistia Internacional em Portugal), mas pecava pela gula, coitado. A sua forma avantajada a isso o obrigava e ao pequeno almoço comia seis carcaças e bebia dois litros de água, tendo-lhe ficado o epíteto  de “Seis carcaças”, mas um outro colega teve o atrevimento de ao lanche comer sete pêssegos de calibre bem avantajado, trazia-os à cintura por dentro da camisa, mais parecendo um papo de gordura.

As aulas teóricas eram à tarde e a maior parte não resistia à sonolência provocada pelo efeito da digestão e começava a “pesar bacalhau” como é costume dizer-se, perante as teorias pouco atractivas da matéria e das tácticas militares. Salvavam-se as aulas de mecânica de armamento que obrigava a mexer o corpo, principalmente as mãos.

 

6 - Um grupo de cadetes em Vale de Zebro

 

Tinha passado um mês, Vale de Zebro ficava para trás, sem deixar saudades. O próximo poiso era a bordo do navio-escola “Santo André” que se encontrava atracado na Base Naval do Alfeite. A segunda parte deste ciclo de preparação militar era mais atractiva para a malta. Íamos estar em contacto com o mar através não só do navio que ía servir de base e alojamento, como também de treino de remo e vela a bordo das embarcações miúdas no Mar da Palha e de aulas teóricas relacionadas com a prática, o que à partida constituía um estímulo aliciante. Já as aulas de ginástica e a subida aos mastros do “Santo André” não entusiasmava a maioria que invocava vertigens para não subir mais que meia enxárcia do mastro, não se aventurando sequer até à mesa e muito menos subir ao mastaréu.

 

7 - Um grupo de cadetes a bordo do Navio-escola "Santo André", no Alfeite em 1968

 

Fomos recebidos pelo oficial imediato do navio, um 1.º tenente da classe de Marinha, sem peneiras nem presunção, que nos pôs à vontade, o que é invulgar. Apresentou-nos o dispenseiro que se mostrou cordial e afável pronto a tornar a nossa estadia o mais agradável possível em termos gastronómicos, mostrando-se receptivo a fazer outra ementa para os que não gostassem dum determinado prato, desde que não fossem em número exagerado.

Por ironia que pareça, logo no primeiro dia de estadia, um grupo de colegas cismou de incutir nos outros para fazer “levantamento de rancho” por que o prato de peixe que o dispenseiro apresentou não estava bom nem era digno de se apresentar tal qualidade de peixe. A maioria de nós ainda nem tinha conseguido descer as escadas de acesso aos refeitórios e muito menos sentar-se à mesa e sequer provar o peixe que era cavala com feijão verde e batatas. Antes porém havia sopa que a maioria rejeitava e entradas de azeitonas, manteiga, fiambre, queijo etc. e posteriormente o prato de carne que naquele dia era formado por bife com ovo, fiambre, arroz e batatas fritas. A terminar, a sobremesa, constituída por um doce e fruta acompanhada quase sempre de queijo e marmelada.

À maioria de nós pareceu-nos que se tratava de uma minoria que pretendia criar conflitos e que préviamente tinha visto a ementa que era colocada logo de manhã quando o dispenseiro chegava da praça com as compras.

 

8 - Cadetes a bordo de um "Zebro" em terra no quartel dos fuzileiros

 

O dispenseiro ficou profundamente amesquinhado perante aquele grupo que nem sequer pediu substituição e resolveu levar o prato a provar ao imediato que verificou que a comida estava boa e não havia razão para reclamar comida estragada.

Nestes casos paga o justo pelo pecador e lá fomos todos  a meio da refeição formar no convés, para saber quem foram os que reclamaram a comida. O imediato, na presença do dispenseiro, mandou dar um passo atrás aqueles que acharam que o prato de peixe estava estragado. Aos infractores, que estavam na presença do dispenseiro a quem tinham ido reclamar, não restava outra alternativa senão identificar-se, tendo aguentado com o acto impensado que cometeram, comprometendo os outros colegas.

Admito que não gostassem de cavala cozida, mas deviam educadamente pedir uma alternativa, como de facto lhe foi servida em substituição da cavala, pescada frita a cerca de vinte, mas o que não podiam nem deviam ter feito era tentar fazer um “levantamento de rancho” através duma suposição falsa. Ist.o de gostos é relativo, para mim gosto mais de cavala do que pescada e ninguém tem o direito de tomar posições de gosto ou outras pelos outros.

 

9 - A bordo do "Santo André",atracado no Alfeite

 

A atitude do Imediato em mandar dar um passo atrás, sensibilizou-me e se desde a apresentação ficara com boa impressão dele, mais ainda fiquei depois desta demonstração de anonimato dos colegas. Durante um mês convivemos todos em harmonia, não mais havendo qualquer confusão por que  dois homens bons, o Imediato e o dispenseiro deram o exemplo amenizando a situação sem penalizar ou etiquetar alguém.

Todos ansiávamos pelo fim de Agosto na expectativa de ainda irmos gozar os poucos dias de férias que nos separavam do início de novo ano escolar. A despedida oficial foi na Base Naval do Alfeite no edifício do Estado Maior da Armada. O dia estava chuvoso, valeu-nos o transporte até Alcântara, mas à hora a que chegamos, na saída dos empregos e o imprevisto da chuva diluviana de Verão que se abateu sobre Lisboa, criou uma instabilidade de tal ordem no trânsito que não consegui apanhar um táxi livre em mais de duas horas  que estive de plantão na Praça da Armada, de mala na mão, vestido de farda branca, com a água a escorrer pelas costas abaixo até aos pés que ficaram alagados.

Como um mal não vem só, quando cheguei à rua onde morava e deitei a mão ao bolso para pagar o táxi não tinha dinheiro e tive de o mandar esperar, enquanto fui pedir à senhora que me alugava o quarto, um empréstimo para pagar ao táxista.

 

Fotografias:

 

1;2; - Do arquivo do autor

3; - Rocha, Manuel in www.panoramio.com/photo/1951618

4; - Freitas, Amândio in www.panoramio.com/photo/1951618

5; - Cardoso, Palhas, Ti in www.panoramio.com/photo/1951618

6;7;8;9; - Do arquivo do autor

 

Viana do Castelo 2010-08-22

Manuel de Oliveira Martins

publicado por dolphin às 17:10

13
Jul 10

O ENCALHE DO DIONE

 

O “Dione”, navio que deslocava 746 toneladas, tinha sido construído em 1951 nos Estaleiros de S. Jacinto para a Empresa Continental de Navegação, Lda. de Lisboa, procedia de Setúbal com sal. Desde o dia 13 de Dezembro de 1956 que se encontrava ao largo de Viana, aguardando melhoria de tempo para poder entrar.

Tendo-se verificado uma acalmia no mar no dia 18-12-1956, mas que não permitia o embarque do piloto fora da barra, o capitão anuiu à sugestou dos pilotos em demandar a barra à sua responsabilidade, seguindo instruções dos pilotos, que na embocadura da barra o aguardavam na lancha para o pilotarem.

Cerca das 15 horas, quando o navio se encontarva com a “Ponta da Tornada” pelo través de estibordo, sofreu um “... violento golpe de mar que o fez perder o governo, encalhou no baixio de areia denominado “Ponta da Tornada” ...”[1].



 

Atendendo a que o navio não conseguia safar-se pelos próprios meios, foi imediatamente pedido o auxílio do rebocador “Rio Vez” da Junta Autónoma dos Portos do Norte (JAPN) que em vão tentou o desencalhe do “Dione”, tendo desistido em virtude do navio se encontrar bem preso ao fundo e a maré vazar com grande força.

Da torre dos Pilotos (donde eram transmitidas instruções para o navio, rebocadores, lancha dos pilotos e  salva-vidas), foram dadas ordens para se estabelecerem cabos do navio para a ponta do cais do Bugio com o intuito de evitar que o navio, devido à acção do mar que batia contra o costado com ondas alterosas, fosse atirado mais para cima da Ponta da Tornada.



 

Foram tentados todos os meios para desencalhar o “Dione” (alguns deles impensáveis nos dias de hoje), enviando para bordo, quando o mar o permitiu, homens para alijar carga do navio durante a noite e “...foi ainda despejado todo o gasóleo que se encontrava a bordo e que eram bastantes toneladas[2]”.

Aproveitando a subida da maré e o alívio de carga e combustível entretanto verificado, e contando com o auxílio de mais um rebocador, pertencente à Empresa de Quebramento de Rocha da Barra “Darque”, cerca das 23 horas foi tentado novamente o desencalhe, mas mais uma vez sem sucesso.

Entretanto, com a força da enchente e o corso do mar, partiram-se os cabos que prendiam o navio ao Bugio atirando-o mais para terra até perto do cais do Cabedelo, onde existiam umas pedras que lhe provocaram alguns rombos por onde começou a meter água, agravando ainda mais a possibilidade de flutuação e desencalhe.



 

Nova tentativa foi feita na maré da tarde do dia 19 com a ajuda do rebocador “Vandoma” que entretanto fora solicitado à Direcção dos Portos do Douro e Leixões e a colaboração do “Rio Vez” que também não surtiu efeitos.

A maré da noite de 19 para 20, por ser a última maré grande da fase da lua, foi aguardada com grande expectativa e esperança, “... mas apesar da boa vontade de quantos trabalharam e dos óptimos serviços prestados pelo rebocador “Vandoma” o “Dione” manteve-se na sua crítica posição.[3]


 

Depois de tantas tentativas e quando já nada previa o desencalhe, este foi conseguido na maré da tarde do dia 23-12-1956 cerca das 19 horas entrando de seguida para o anteporto, para alívio de todos especialmente os pilotos que finalmente ficaram aliviados daquele "monstro" à entrada da barra mesmo defronte da estação de pilotagem.



Fontes:

[1] A Aurora do Lima: 21-12-1956

[2] Idem: Ibidem

[3] Idem: Ibidem

Fotos: Autor desconhecido

publicado por dolphin às 16:00

15
Jun 10


A notícia do naufrágio do iate “Helena Santa” nas camboas ao norte da barra de Viana do Castelo, no dia 16 de Novembro de 1945 pela manhã, mobilizou todos os meios humanos e materiais disponíveis na cidade naquela época.

Pouco antes do naufrágio, os pilotos tinham dado entrada ao palhabote “Maria Lucília”, mas entretanto fez-se cerração[1] e o “Helena Santa” devido à fraca visibilidade e ao mar agitado, perdeu o leme e caíu para cima da parede[2] sendo arrastado para as camboas[3] a norte da barra.

Os pilotos, o barco salva vidas João Tomaz da Costa, as duas corporações dos Bombeiros, Municipais e Voluntários, bem como uma ambulância da Cruz Vermelha, acorreram para prestar socorro aos tripulantes do malogrado iate.

O primeiro sinal de perigo foi dado pela sirene de bordo do iate naufragado, secundado pelo palhabote “Maria Lucília” e lugre “Maria Madalena” que se encontrava na doca, o mesmo fazendo o sino de Santa Catarina que também tocou a rebate.

O sr. Capitão do Porto, comandante Laurindo Henrique dos Santos assistiu às manobras de salvamento dando ordens e chegou inclusive a mandar preparar o serviço para lançar um cabo de vai-vém, o que não chegou a ser necessário devido à eficiente acção do barco salva vidas.


A barra de Viana em 1945, vendo-se a embocadura, o cais do Bugio e por fora deste as camboas onde encalhou o "Helena Santa"

 

O barco dos pilotos tripulado pelo chefe Augusto Silva, auxiliado pelos colegas Mário, Costa e Jorge, permaneceu na embocadura da barra dando instruções à tripulação do “Helena Santa”.

Os sete tripulantes do iate “Helena Santa” foram todos resgatados pelo barco salva vidas, porém, quando deram pela falta de um, não exitaram em o ir salvar do perigo que corria, depois de ter abandonado o navio num escaler e indo na direcção da barra, resgatando-o de ser tragado pelas ondas alterosas no último momento.

Faziam parte da tripulação do salva vidas os arrojados e valentes marinheiros; Leonildo Araújo,João Duarte, José Rodrigues Costa, José de Castro Alheira, Eduardo Chavarria, Jerónimo Domingues Pires, José de Castro Soares, Miguel Freitas de Lemos, José da Lomba e os irmãos João e Álvaro Vieira, hábilmente orientados pelo patrão António Gonçalves Gago.

Os tripulantes, chegados a terra, foram conduzidos na ambulância da Cruz Vermelha para o Hospital da Misericórdia, onde foram tratados a pequenas escoriações que sofreram no salvamento: João Martins dos Santos, de 36 anos, casado, mestre; António Viegas Ramos, 26 anos, solteiro, contra-mestre; Joaquim Estrela Ministro, 35 anos, 1.º Motorista; António de Sousa Pires, 34 anos, casado, 2.º Motorista; António Gonçalves de Sousa, 22 anos, solteiro, cozinheiro; José Viegas Contrinas, 42 anos, casado; Domingos Silvino Ferro, 24 anos, casado; Francisco Eduardo Alexandre, 34 anos, casado.

O iate “Helena Santa” era um barco de 115 toneladas de arqueação bruta, comandado pelo mestre João Martins dos Santos, propriedade de Roque & Filhos, de Faro e registado neste porto. Estava fretado a José Maria da Silva, de Lisboa e a força do mar desmantelou-o totalmente, dando à Praia Norte os restos do navio.

Um facto é digno de menção neste desenlace, que podia ter sido fatal se não fosse a pronta intervenção e coordenação dos meios utilizados, o sr. João Alves Cerqueira, mal teve conhecimento do sucedido e sensibilizado pela coragem e risco dos tripulantes do salva vidas, mandou-os gratificar com 500$00. Este acto prova não só a generosidade, como a grandeza de alma que este benemérito anónimo possuía e pelo qual ainda hoje muitas pessoas recordam com admiração e saudade.



[1] Cerração – nevoeiro fechado

[2] Parede –conjunto rochoso existente pelo norte da barra de Viana do Castelo

[3] Camboa - Nome dado no Norte do país a um pesqueiro formado por um muro de pedras soltas que delimita um espaço para onde o peixe que entra na Preia-mar fica retido na Baixa-mar.

Fontes: A Aurora do Lima

 

Viana do Castelo, 2010-06-15

Manuel de Oliveira Martins

publicado por dolphin às 16:42

09
Jun 10

SALVO PELA FONIA

 

Um caso insólito ocorreu em 1945 em Viana do Castelo, quando o conceituado médico oftalmologista Dr. Carlos Souto Morais, com consultório em Viana do Castelo, salvou de ficar cego o capitão do navio bacalhoeiro “Groenlândia”, sr. Manuel Viana, pessoa muito conhecida e estimada nesta cidade.

O navio “Groenlândia” encontrava-se no alto mar e o capitão, após ter dirigido as manobras de bordo, possivelmente cansado pelo esforço dispendido, foi-se deitar com a roupa molhada, tendo sido acometido de cegueira súbita, devido a resfriamento.

Perto do ”Groenlândia” encontrava-se o navio a motor “São Rui”, propriedade da Empresa de Pesca de Viana, do comando do capitão Aquiles Gonçalves Bilelo que, sabendo da existência em Viana do Castelo de um oftalmologista competentíssimo, como era o Dr. Souto Morais, contactou com o navio “Santa Maria Madalena” que se encontrava já em Viana do Castelo, depois de ter regressado da campanha daquele ano mais cedo, por ter sido escolhido para chefiar um comboio de navios, pedindo-lhe ajuda.

Atendeu o pedido o sr. capitão José Águas Ferreira dos Santos da Comissão Reguladora do Comércio do Bacalhau que nessa altura se encontrava a bordo e que imediatamente estabeleceu contacto com a empresa, encontrando o sr. João Alves Cerqueira, a quem contou o sucedido e este, num gesto de humanismo e solidariedade, próprios da sua pessoa, disponibilizou o seu automóvel a fim de ir buscar o Dr. Souto  Morais, para através da rádio T.S.F. do navio, fazer o diagnóstico do estado de saúde do capitão do “Groenlândia” e tomar as medidas que julgasse mais adequadas, para minimizar os efeitos daquela cegueira súbita que ocorrera ao capitão Manuel Viana.

Um dos primeiros jornais a ter conhecimento deste acontecimento e a dar a notícia foi o “Diário de Notícias”, através do seu correspondente nesta cidade, o senhor João da Rocha Páris Vasconcelos, que no dia 25 de Outubro, logo pela manhã, se dirigiu a bordo do “Santa Maria Madalena”, onde foi recebido pelo capitão José Águas Ferreira dos Santos, pelo 1.º maquinista sr. José Rocha e pelo sr. António Gonçalves Viana, empregado da Empresa de Pesca de Viana, para saber notícias do estado de saúde do capitão do “Groenlândia” e da reacção ao tratamento prescrito na véspera pelo dr. Souto Morais.

Aqueles cavalheiros amavelmente convidaram-no a comunicar via rádio com o capitão do navio “São Rui”, Aquiles Gonçalves Bilelo que lhes deu a boa notícia da recuperação da visão do capitão Manuel Viana.

Este foi o primeiro tratamento médico efectuado desta cidade através da T.S.F. Questionou-se na altura a falta de uma estação de T.S.F. para atendimento de apelos semelhantes feitos pelos navios no alto mar, a instalar na Estação de Pilotos ou na Capitânia.

 

Fontes:

A Aurora do Lima : 30-10-1945

 

Viana do Castelo, 2010-06-09

Manuel de Oliveira Martins

publicado por dolphin às 21:55

25
Mai 10

LUGRE "BRILHANTE"

 

O lugre "Brilhante" foi construído nos estaleiros da Companhia Marítima de Transportes e Pesca, no Largo 5 de Outubro, pelo construtor naval sr. José Lopes Ferreira Maiato, para a Sociedade Vianense de Cabotagem, Lda., pela quantia de 20.000$00.

Esta sociedade era constituída pelos srs. Jerónimo Vieitas Costa, Rodolfo Vieitas Costa, João Alves Cerqueira, José António de Matos e pela firma Magalhães & Filhos, Lda.

O lugre "Brilhante" foi lançado à água no dia 05-05-1921 e teve como primeiro comandante o Capitão da Marinha Mercante José Bixirão, de Ílhavo. O navio tinha as seguintes características: Tab - 350,670 tons ; Tal - 312,980 tons;Lpp - 47,25 m; Boca - 9,97 m ;Pontal - 3,82 m. Devido ao avançado do tempo para apetrechar e fazer o abastecimento de mantimentos e sal, não fez a campanha de 1921, aproveitando para fazer algumas viagens comerciais até à campanha do próximo ano.

Foi registado na Capitânia do Porto de Viana do Castelo no dia 7 de Junho de 1921, para o transporte marítimo, com armação de lugre de três mastros. Segundo averbamento de 27-03-1922 exarado no registo, passou nesta data a pertencer à Sociedade Nacional de Pesca, Lda. e, de acordo com a comunicação n.º 286 de 06-03-1924 da Capitânia do Porto de Aveiro passou a ter novo registo naquela praça com o nome de "Condestável".

Como era costume nos "bota-abaixo" dos navios naquela época, foi um acontecimento que mobilizou a afluência de um grande número de pessoas provenientes das redondezas. O cabo que prendia o navio ao berço, foi cortado pelo sr. Fernando Costa de Lisboa, gerente da casa Vieitas & Cia.

À noite, no restaurante da sra. D. Margarida de Lemos Pereira, a "Margarida da Praça", foi servido um lauto banquete aos mais íntimos amigos dos societários e em que participaram algumas senhoras.

De realçar o ressurgimento do "Restaurante da Praça que teve a melhor tradição como uma das casas de maiores primores culinários...". O restaurante foi gerido por outras direcções, mas retomou a direcção da sua primitiva proprietária.



 

Restaurante "Margarida da Praça"

 

A D. Margarida de Lemos Pereira, presenteou os convivas com uma lista genuinamente portuguesa, reavendo os seus antigos créditos, com um serviço primoroso.

A festa prolongou-se noite dentro com brindes e homenagens aos societários da empresa.

 

Fontes :

"A Aurora do Lima" - 13-05-1921

Capitânia do Porto de Viana do Castelo -Livro de registo de navios n.º 5

 

Viana do Castelo, 2010-05-25

Manuel de Oliveira Martins

publicado por dolphin às 22:37

18
Mai 10

O SEGUNDO SANTA LUZIA

 

Como referimos atrás, a direcção da Companhia Marítima de Transportes e Pesca, liderada pelo sr. Joaquim Soares, pôs em execução a construção, nos estaleiros da companhia, de uma nova unidade destinada à pesca do bacalhau.

Os trabalhos de construção estiveram a cargo do prestigiado mestre de construção naval sr. José Lopes Ferreira Maiato, e o navio foi concluído em escassos oito meses de trabalho intenso, com o fim de efectuar a campanha de 1921.

O navio apresentava as seguintes características:

Tonelagem de arqueação bruta (Tab)       = 325,99 toneladas

Tonelagem de arqueação líquida (Tal)      = 261,92      "

Comprimento entre perpendiculares (Lpp) = 48,10 metros

Boca (1) =  9,93 metros

Pontal (2) =  3,90 metros

Equipagem                                            = 43 tripulantes

O lugre "Santa Luzia" foi lançado à água cerca das 16.00 horas do dia 10-04-1921, domingo, nos estaleiros do Campo da Feira perante um mar de gente que aí afluiu, vinda das aldeias, em bandos alegres, para assistir ao "bota-abaixo", coisa nova para a maioria delas.



 

"Bota-abaixo" de um navio nos estaleiros do Campo da Feira

 

Era uma autêntica romaria,fazendo antever a Romaria d'Agonia "Aqui e alli, grupos de camponezas com trajes da região, cantavam e dançavam ao som da viola dedilhada por um rapagão...", assim se referia "A Aurora do Lima" a tão extraordinário evento para a cidade, onde também a alta sociedade e a juventude (feminina) participava, como se depreende pela referência "O Lima estava lindo. As suas águas, límpidas e serenas, mostravam assim como que um contentamento inesperado. Pudéra!... pois se vogavam sobre ellas pequenas embarcações conduzindo formosos palminhos de cara, que, para mais as envaidecerem, faziam das mesmas águas espelho para se verem!...".

Nesse dia de "bota-abaixo" era permitida a visita ao navio a todos sem excepção e a empresa proprietária do navio, contratava bandas filarmónicas e ranchos folclóricos para abrilhantar a festa como se percebe pela descrição, "De um lado, na estrada, um grupo de lindas cachopas dançavam o vira, ao som da philarmonica que junto ao escritório da Companhia se fazia ouvir para mais animar a cerimónia do lançamento".

Neste clima de festa se viviam os lançamentos à água dos navios nesses primórdios do Século XX. A mais alta sociedade vianense participava activamente ostentando a sua riqueza e estatuto social, cujo espelho disso, se comprova por, "Nas janellas dos prédios vizinhos, distinctas senhoras ostentavam vestidos pesados, próprios da sua edade e da sua posição, umas ostentando os seus lorgnons,(3) outras primaverilmente vestidas..."

 

Glossário:

(1) Boca - Largura máxima

(2) Pontal - Altura da quilha ao convés

(3) Lorgnon - Luneta com cabo

 

Fontes: A Aurora do Lima: 12-04-1921

Viana do Castelo, 2010-05-18

Manuel de Oliveira Martins

publicado por dolphin às 21:27

16
Mai 10

COMPANHIA MARÍTIMA DE TRANSPORTES E PESCA

 

A Companhia Marítima de Transportes e Pesca, S.A.R.L., sucedeu à extinta parceria de Pescarias de Viana, que durante 7 anos desenvolveu a indústria da pesca do bacalhau.

A Pescarias de Viana já vinha desenvolvendo outras actividades para além da pesca do bacalhau (seu fim prioritário), como a construção naval com os Estaleiros do Largo 5 de Outubro ou do Campo da Feira, e os transportes com o primeiro navio de nome "Gaspar", construído nesses mesmos estaleiros.

A nova companhia, que agora surgia, assentava nas bases da anterior Pescarias de Viana, mas integrava um grupo de accionistas da cidade do Porto e Viana. Entre eles estavam a casa Pinto & Sotto Maior, Cândido Sotto Maior, Joaquim Soares, Adelino Cardoso, Abílio Azevedo, dr. Rendeiro, dr.Correia de Barros e João Baptista Ferreira que geriu de forma eficaz a anterior empresa de pescarias.

Entre eles subscreveram o capital social de 1.000 contos com que iniciaram a sociedade, podendo esse capital elevar-se até 5.000 contos, caso houvesse necessidade, fruto das oportunidades de negócio.

O objectivo da companhia, relativamente à anterior parceria, era alargado, visando englobar as actividades da construção naval e dos transportes marítimos.

A nova empresa elegeu os corpos sociais, ficando como directores os srs. Joaquim Soares, Adelino Cardoso, representantes da casa Pinto & Sotto Maior, a designar, e João Baptista Ferreira. Como gerente ficou o sr. Camilo Sá Pinto Sotto Maior. Ao Conselho Fiscal ficaram a pertencer nomes da cidade do Porto e Viana, tais como, António Gonçalves da Silva Carvalho, drs. Gabriel Fânzeres, Martins Delgado e Manuel Martins do Couto Viana.

Ficaram a pertencer à nova companhia quase todos os sócios da anterior parceria Pescarias de Viana que conjuntamente com os novos elementos e o capital aumentado levantarão a nova empresa.

No momento da constituição da firma, Julho de 1920, já se encontrava na Terra Nova o lugre "Rio Lima" recentemente construído e também adquiriram para o transporte marítimo o lugre "Nuno Álvares" que podia transportar mil toneladas de carga e tinham em construção nos seus estaleiros do Campo da Feira, um novo lugre, o segundo "Santa Luzia", para a pesca do bacalhau.

As três actividades propostas nos objectivos da empresa, estavam todas em laboração, razão suficiente para os accionistas estarem satisfeitos e expectantes.

Os bons resultados desta companhia reflectiram-se de imediato nos primeiros anos do exercício, possibilitando a distribuição pelos accionistas, do pagamento de dividendos. No primeiro ano, foi determinado em Assembleia Geral, realizada na sede da companhia, à Praça da Liberdade, n.º 28, 3.º no Porto, a distribuição de dividendos pelos accionistas no valor de 8$00 por acção. Nesta mesma reunião foi eleito um novo director, o sr. Amador Valente, em substituição do sr. Adelino Cardoso que por motivo de falta de saúde pediu a sua exoneração.

No ano seguinte, 1923, em consequência das boas campanhas feitas pelos navios, "Santa Luzia" e "Rio Lima" e das boas vendas, foi possível distribuir pelos accionistas um dividendo de 10 escudos por acção.

A companhia estava de boa saúde, e mais uma vez em meados de Abril, o "Santa Luzia" e o "Rio Lima" partiam para Lisboa para abastecer de mantimentos e sal e seguirem viagem para os bancos da Terra Nova.

 

Fontes: A Aurora do Lima:23-07-1920; 20-02-1923

 

Viana do Castelo, 2010-05-09

Manuel de Oliveira Martins

publicado por dolphin às 09:50

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